Descrição de chapéu Governo Biden Coronavírus

EUA planejam enviar milhões de doses da vacina para México e Canadá

Anúncio vem em momento em que governo Biden vive pior crise de imigração em sua fronteira

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Washington | Reuters

Os EUA planejam enviar para o México e o Canadá cerca de 4 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 produzida pela AstraZeneca/Oxford —cuja autorização de uso ainda não foi aprovada no país.

A informação foi confirmada nesta quinta (18) pelo governo mexicano, que receberá 2,5 milhões de doses do imunizante. Os canadenses, portanto, ficarão com o outro 1,5 milhão de doses.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse em entrevista coletiva que o plano para compartilhar os imunizantes não está totalmente finalizado, mas que esse é o objetivo do governo americano.

O anúncio vem em um momento em que os EUA vivem o maior fluxo de migrantes em 20 anos em sua fronteira com o México —só no mês de fevereiro, 100.441 pessoas foram detidas ou expulsas na divisa, de acordo com dados do Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP, na sigla em inglês).

O presidente Joe Biden durante reunião na Casa Branca, em Washington
O presidente Joe Biden durante reunião na Casa Branca, em Washington - Kevin Lamarque - 25.jan.21/Reuters

O México é um elemento central na crise imigratória, e a gestão do democrata pretende contar, assim como fez a administração de Donald Trump, com a ajuda do país vizinho. Em uma videochamada neste mês com o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, Biden perguntou o que poderia ser feito para ajudar a resolver o problema, segundo funcionários a par da conversa.

Assim, o envio de doses da vacina, uma demanda mexicana, pode ser visto como uma forma de afago para que o México endureça os controles na fronteira, mesmo que o governo de López Obrador afirme que os esforços para garantir imunizantes são independentes dos diálogos sobre migração.

Nesta quinta, o governo mexicano disse que aplicaria restrições de entrada em sua fronteira com a Guatemala para tentar barrar a disseminação do vírus —é por ali também que entram muitos imigrantes que querem chegar de maneira irregular aos EUA.

Quase 200 mil pessoas morreram no México devido ao vírus —o país é o terceiro no ranking mundial de óbitos, atrás apenas dos EUA e do Brasil—, e a sua campanha de imunização não avança com rapidez. O país vacinou mais de 4 milhões de pessoas, mas apenas cerca de 600 mil receberam as duas doses, o que representa 0,50% de sua população, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

A chegada da vacina também é importante do ponto de vista político. O país vai às urnas em junho para eleições legislativas, e López Obrador quer garantir que seu partido mantenha maioria no Congresso.

A gestão Biden está sob pressão de aliados em todo o mundo para compartilhar a vacina, principalmente da AstraZeneca, autorizada na Europa e em outros países, mas ainda sem aprovação nos EUA.

Vários países europeus suspenderam o uso do imunizante fabricado pela farmacêutica britânica nesta semana, após algumas pessoas que receberam a vacina desenvolverem coágulos. Nesta quinta-feira, no entanto, o órgão regulador de drogas da Europa declarou a vacina segura. A empresa tem uma fábrica nos EUA e afirma ter condições de disponibilizar 30 milhões de doses no início de abril.

Os desencontros sobre o produto da AstraZeneca aumentaram a insegurança da população europeia, num momento em que a intenção de se vacinar estava crescente até mesmo nos países com maior presença de militantes antivacinação, como a França. A nova decisão de suspender o uso do imunizante da AstraZeneca “por precaução” foi uma pá de cal: só 20% dos franceses afirmaram confiar no imunizante em pesquisa da BMFTV feita logo após o anúncio.

A Comissão Europeia não quis comentar a paralisação anunciada por quase 20 de seus membros, num movimento que tem sido atribuído a motivações políticas até mesmo dentro da UE. Na Bélgica, onde nenhum dos imunizantes foi suspenso, o porta-voz Yves Van Laethem disse que há tão poucos relatos de problemas que “a interrupção da campanha seria mais prejudicial do que qualquer outra coisa”.

O acordo para compartilhar a vacina, que ainda não tem um cronograma definido, não afeta os planos do presidente Biden de disponibilizar a vacina para todos os adultos nos Estados Unidos a partir de maio, disse um funcionário do governo à agência de notícias Reuters.

Os EUA não precisam das doses da AstraZeneca para cumprir a meta. Até o momento, os imunizantes de três fabricantes —Pfizer/BioNTech, Moderna e Johnson & Johnson— estão liberadas para uso no país. As empresas prometeram entregar quase 500 milhões de doses aos EUA.

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