Ex-presidente da Bolívia passa mal e é transferida de prisão a hospital

Jeanine Añez está detida desde sábado, acusada de conspiração, sedição e terrorismo

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La Paz | Reuters

A ex-presidente interina da Bolívia Jeanine Añez foi levada a um hospital nesta quarta (17), após passar mal na prisão, informaram autoridades carcerárias. Sob acusações de conspiração, sedição e terrorismo no processo que levou à renúncia de Evo Morales e no governo interino que se seguiu, Añez foi detida no sábado (13). Dois dias depois, a Justiça fixou quatro meses de prisão preventiva.

Karina Figueroa, chefe da Cadeia Feminina de La Paz, disse que Añez apresentou um quadro de hipertensão. “Os médicos vão nos manter informados sobre a situação”, disse em entrevista à Rádio Éxito.

Ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, é vista dentro de um carro ao lado de fora da prisão onde está detida em La Paz
Ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez chega à prisão onde está detida em La Paz - Manuel Claure - 13.mar.2021/Reuters

Nesta quarta, o Ministério das Relações Exteriores do México criticou a Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo que descreveu como "interferência nos assuntos internos da Bolívia".

A fala foi uma reação a um comunicado do órgão, emitido mais cedo nesta quarta, para pedir "julgamentos confiáveis ​​e imparciais" e enfatizar o que chamou de agravamento da interferência política e da corrupção no sistema judicial boliviano.

Añez, presidente entre novembro de 2019 e novembro de 2020, assumiu o poder na esteira da renúncia de Evo, num processo considerado golpe de Estado por partidários do líder de esquerda devido à pressão das Forças Armadas e à interpretação heterodoxa das leis feita pela ex-senadora para assumir a Presidência.

Ela deixou o governo boliviano após a vitória de Luis Arce, aliado de Evo, nas urnas. Sua prisão ocorreu no sábado (13), após ser encontrada pelos agentes da polícia escondida em uma cama box.

A denúncia contra a ex-presidente foi apresentada por deputados e ex-deputados ligados ao MAS (Movimento para o Socialismo), partido de Evo e Arce. No processo, a Promotoria acusa a cúpula do governo de Añez de ter causado mais de 30 mortes na repressão aos atos após a saída do líder indígena.

As penas para os crimes descritos vão de 5 a 20 anos de prisão. Añez afirma que sua prisão é ilegal e um ato de perseguição e que o governo a "acusa de ter integrado um golpe de Estado que nunca ocorreu".

A ordem de prisão também atinge os ex-ministros Arturo Murillo (Governo), Luis Fernando López (Defesa), Yerko Núñez (Presidência), Álvaro Coimbra (Justiça) e Rodrígo Guzmán (Energia) —estes dois últimos também foram detidos.

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