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Facebook congela página de Maduro por promover remédio ineficaz anti-Covid

Espaço do ditador da Venezuela na plataforma ficará disponível apenas para leitura durante 30 dias

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Caracas | Reuters

O Facebook anunciou neste sábado (27) a suspensão da página do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, por violar as políticas da plataforma contra a divulgação de informações incorretas sobre a Covid-19. O chavista promoveu, sem oferecer evidências científicas, um remédio que, segundo ele, curaria a doença.

Em janeiro, Maduro descreveu o Carvativir, uma solução oral derivada do tomilho, como um medicamento "milagroso" que neutraliza o coronavírus sem provocar efeitos colaterais, uma alegação que médicos dizem não ser apoiada pela ciência. Assim, o Facebook retirou do ar um vídeo no qual o líder venezuelano promove o medicamento, já que o conteúdo viola a política da rede social contra alegações falsas em torno de elementos que garantiriam a prevenção ou a recuperação da Covid-19, segundo a empresa.

Nicolás Maduro durante conferência em Caracas
Nicolás Maduro durante conferência em Caracas - Manaure Quintero - 8.dez.20/Reuters

"Seguimos a orientação da OMS [Organização Mundial da Saúde], segundo a qual atualmente não há medicamento para curar o vírus", disse um porta-voz do Facebook à agência de notícias Reuters. Devido às repetidas violações das regras da plataforma, a página de Maduro ficará congelada por 30 dias, período no qual ela ficará disponível apenas para leitura.

Maduro, no vídeo, afirma que o Carvativir, que ele chama de "gotas milagrosas" criadas pelo médico venezuelano do século 19 José Gregorio Hernandez, beatificado pela Igreja Católica, pode ser usado preventivamente e terapeuticamente contra o coronavírus. Os administradores da página do ditador venezuelano foram notificados da violação da política, disse o porta-voz do Facebook.

A conta de Maduro no Instagram, que pertence ao Facebook, no entanto, não será afetada. O Ministério da Informação da Venezuela, por sua vez, não respondeu a um pedido de comentários.

Em fevereiro, o líder venezuelano disse que o Facebook censurou vídeos em que exibia o Carvativir. No passado, também afirmou que ele e seus aliados foram tratados injustamente por empresas de mídia social. Maduro frequentemente utiliza plataformas como Facebook e Twitter para transmitir discursos.

Os números oficiais da crise sanitária da Venezuela nesta sexta-feira (26) mostraram que, até agora, o país somou 154.905 casos de coronavírus e 1.543 mortes, embora os críticos da oposição digam que o número real é provavelmente maior devido à pouca quantidade de testes de detecção do patógeno.

Em janeiro, às vésperas do fim do mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, o Facebook suspendeu por tempo indeterminado sua conta na rede social e também no Instagram.

A decisão ocorreu após a invasão do Capitólio, no início daquele mês, durante a sessão conjunta entre deputados e senadores para a certificação da vitória de Biden. Insuflados por Trump, que fez um comício em Washington horas antes do ataque, vândalos entraram no prédio que sedia o Congresso americano.

Cinco pessoas morreram durante o episódio, incluindo uma veterana da Força Aérea apoiadora de Trump, baleada por um agente da polícia do Capitólio.

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