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Navio saído do Brasil com tripulação infectada põe Islândia em alerta

Taurus Confidence chegou do Maranhão com 10 dos 19 tripulantes contaminados com variante P.1

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Luciano Dutra
Reykjavík

Um navio saído do Brasil colocou em alerta autoridades de saúde da Islândia, país nórdico que vem controlando a pandemia com sucesso, por meio de testes de detecção com intervalo de cinco dias a todos os que chegam à ilha por via marítima ou aérea.

Mas o navio Taurus Confidence, que aportou em Reyðarfjörður, no leste da Islândia, poderia pôr em risco esse controle. A embarcação, que levava alumina calcinada de São Luís do Maranhão para a usina de alumínio da cidade, tem 10 de seus 19 tripulantes infectados, conforme testes realizados no domingo (21).

O navio Taurus Confidence, que chegou à Islândia com parte da tripulação infectada com o coronavírus
O navio Taurus Confidence, que chegou à Islândia com parte da tripulação infectada com o coronavírus - Marine Traffic

Os tripulantes contaminados são mantidos em isolamento, e os outros estão em quarentena a bordo do navio, sob estrita vigilância da polícia local. Como toda a tripulação é chinesa, a embaixada do país asiático foi informada e está monitorando a situação em cooperação com as autoridades locais.

Consultada, a Secretaria de Saúde da Islândia, que centraliza as informações a respeito da Covid-19 no país, confirmou que os dez tripulantes infectados são portadores da variante brasileira, a P.1, informação chancelada por Kári Stefánsson, diretor da DeCode, empresa de pesquisa genética responsável pelo sequenciamento de todas as amostras de pacientes de Covid-19 na Islândia.

A constatação deixou as autoridades sanitárias em alerta. Até agora, a Islândia era o único país nórdico ao qual a variante brasileira não havia chegado. Segundo o órgão, todas as providências foram tomadas para monitorar o estado dos tripulantes e evitar que essa cepa do vírus seja transmitida à população islandesa.

Ainda que a situação esteja sob controle, as autoridades temem que, caso o estado de algum infectado se agrave, o paciente tenha de ser transferido a um hospital para tratar infecções por Covid-19.

A informação inicial, dada por Garðar Jóhannsson, diretor da Nesskip, empresa de navegação islandesa que atua como agente marítimo local da embarcação, era a de que o capitão do navio teria advertido às autoridades portuárias haver sete doentes a bordo na véspera da chegada.

A Islândia conseguiu controlar recentemente a terceira onda de contágios da pandemia e vinha registrando pouquíssimos novos casos diários nas últimas semanas. As infecções registradas a bordo do Taurus Confidence no domingo equivalem à metade dos casos confirmados no último fim de semana.

O país de 369 mil habitantes confirmou, entre sábado e domingo, 21 novos casos —os outros 11 contágios se deram de forma comunitária. Três dessas pessoas não foram inicialmente relacionadas aos demais casos e foram detectadas fora da quarentena ou do isolamento. Esse tipo de situação, em que pessoas não rastreadas circulam livremente, é o que coloca em alerta as autoridades.

Devido a esses novos casos, 435 indivíduos encontram-se em quarentena, e 57, em isolamento no país.

Desde o início da pandemia em território islandês, 6.122 casos de Covid-19 foram confirmados, 330 requereram internação hospitalar e 53 internações em UTI, com 29 óbitos causados pela doença.

Até esta terça-feira (23), 16.906 islandeses (4,5% da população) já receberam as duas doses da vacina contra a Covid-19 —o país utiliza imunizantes da Pfizer, da AstraZeneca e da Moderna. Outros 21.056 (5,7%) aguardam a segunda dose. No total, 54.868 doses da vacina já foram aplicadas no país.

A Islândia começou a emitir "passaportes de vacinação" em meio à polêmica na UE, destinados a facilitar as viagens de pessoas vacinadas.

Erramos: o texto foi alterado

Primeira versão do texto apontou incorretamente que o navio Taurus Confidence levava albumina calcinada para a Islândia. A embarcação, na verdade, transportava alumina calcinada. A reportagem foi corrigida.

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