Descrição de chapéu Folhajus

Opositor de Putin acusa guardas de 'tortura' por privação de sono

Alexei Navalni também denuncia não ter recebido tratamento médico adequado

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Moscou | Reuters

O opositor russo Alexei Navalni, preso desde janeiro, denunciou nesta quinta-feira (25) que funcionários da colônia penal onde está detido lhe negaram acesso a tratamento médico adequado e adotam prática que ele comparou à tortura.

As alegações foram feitas em dois apelos a autoridades que Navalni encaminhou a seus advogados durante visita dos defensores à colônia penal corretiva IK-2, a 100 km de Moscou.

Alexei Navalni durante audiência sobre apelação à sentença que o colocou na prisão
Alexei Navalni durante audiência sobre apelação à sentença que o colocou na prisão - Maxim Shemetov - 20.fev.21/Reuters

O principal opositor do presidente russo, Vladimir Putin, disse que estava sendo privado de sono por guardas que o acordam a cada hora durante a noite, e autoridades do presídio não negaram que a prática esteja sendo adotada, mas disseram que ela é necessária por haver risco de fuga.

Em seus apelos, o ativista de 44 anos também afirmou que chefes do presídio recusaram seu pedido no último mês para que um médico civil o visitasse, apesar de dores excruciantes nas costas e dormência na perna. “Considero que a deterioração da minha saúde é uma consequência direta das ações e inações dos funcionários do Serviço Penitenciário Federal, deliberadamente visando me negar atendimento médico adequado e deteriorar minha saúde”, escreveu.

O Serviço Penitenciário Federal disse mais cedo nesta quinta que o opositor foi examinado nesta quarta (24) e que sua saúde estava estável e satisfatória. Seus advogados, cujo acesso ao cliente chegou a ser negado nesta quarta, contestaram a versão oficial, afirmando que Navalni estava em péssimo estado e precisava urgentemente ver um médico de fora do presídio para receber tratamento.

Esposa do ativista, Iulia Navalnaia disse que a situação do marido na prisão era uma vingança por suas atividades de oposição. “Eu exijo que seja dada a Alexei a possibilidade de ser tratado por médicos que ele confia”, escreveu ela em uma postagem no Instagram.

Navalni relatou ter recebido comprimidos e creme com ibuprofeno, medicamento anti-inflamatório normalmente utilizado para dor, o que disse não ter sido suficiente. O opositor recebeu apoio de quase 160 personalidades da área da cultura, que publicaram nesta quinta uma carta pedindo condições melhores.

O Kremlin disse não acompanhar os desdobramentos do estado de saúde do ativista porque a questão cabe às autoridades prisionais. Também neste mês, sua prisão gerou outra polêmica. Há cerca de dez dias, os advogados do opositor disseram que ele havia sido transferido da colônia penal onde estava preso desde fevereiro, e seu paradeiro chegou a ser desconhecido por seus defensores.

Navalni foi preso ao retornar à Rússia, após vários meses na Alemanha, onde se recuperava de um envenenamento pelo qual culpa as autoridades russas. Ele é acusado formalmente de violar os termos de sua liberdade condicional ao sair do país, ainda que a saída tenha ocorrido sob justificativa médica —ele estava em coma. O opositor teve uma sentença de prisão por fraude comutada em 2014, em uma ação que classifica como perseguição judicial.

Embora nominalmente independente, o Judiciário russo é alinhado ao Kremlin.

A Justiça do país confirmou no mês passado a sentença do ativista. No total, ele foi condenado a três anos e meio de prisão, dos quais já cumpriu dez meses em regime domiciliar.

Diferentes países do Ocidente, além da Corte Europeia de Direitos Humanos, pediram que a Rússia liberte Navalni, reação que Moscou disse ser uma interferência inaceitável em seus assuntos internos.

Os EUA também anunciaram sanções, que incluem o banimento de viagem aos EUA e o congelamento de bens no exterior de autoridades acusadas de tramar a prisão do ativista. A detenção de Navalni também provocou reações internas, com grandes manifestações, às quais as autoridades responderam com mais de 11 mil detenções.

Os aliados do opositor anunciaram na terça (23) seus planos para o que esperam ser o maior protesto anti-Kremlin na história da Rússia moderna para os próximos meses. As autoridades disseram que tais atos são ilegais.

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