Opositor russo faz greve de fome e pede atendimento médico na prisão

Preso desde janeiro, Alexei Navalni diz não receber tratamento adequado para dor nas costas e pernas

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Moscou | Reuters

O opositor russo Alexei Navalni, 44, preso desde janeiro, anunciou nesta quarta (31) que começou uma greve de fome até receber os cuidados médicos adequados para dores agudas nas costas e nas pernas.

Na semana passada, ele denunciou que funcionários da colônia penal IK-2, onde está detido, a 100 km de Moscou, haviam negado acesso a tratamento médico adequado e adotado prática que comparou à tortura. As alegações foram feitas em dois apelos a autoridades encaminhados por seus advogados.

Desta vez, em uma carta manuscrita endereçada ao chefe da colônia penal, postada nas redes sociais por sua equipe, o principal opositor do presidente russo, Vladimir Putin, disse que os pedidos de um médico de sua escolha para examiná-lo e de remédios adequados haviam sido ignorados.

O opositor russo Alexei Navalni durante protesto em Moscou
O opositor russo Alexei Navalni durante protesto em Moscou - Shamil Zhumatov - 29.fev.20/Reuters

"Eu realmente preciso de um médico. Todo presidiário tem o direito [por lei] de convidar um especialista para examiná-lo e consultá-lo", escreveu na carta. "Exijo que um médico me veja e, até que isso aconteça, estou declarando greve de fome."

A colônia penal não respondeu aos pedidos de comentário. Após examinarem Navalni na semana passada, os responsáveis pela prisão declararam que a condição física dele era estável e satisfatória.

O Kremlin declarou não acompanhar os desdobramentos do estado de saúde do ativista porque a questão cabe às autoridades prisionais. Navalni reclama de uma dor aguda nas costas, que se espalhou, segundo ele, primeiro para a perna direita e depois para a esquerda. Ele relatou ter recebido comprimidos e pomada com anti-inflamatório —mas disse que não foram suficientes.

Médicos publicaram uma carta aberta no domingo (28) para exigir que o ativista receba cuidados adequados. "Tememos pelo pior. Deixar um paciente nesta condição [...] pode levar a consequências graves, incluindo uma perda irreversível, total ou parcial das funções dos membros inferiores", diz o texto.

Navalni foi preso ao retornar à Rússia, após vários meses na Alemanha, onde se recuperava de um envenenamento que atribui às autoridades russas. Ele é acusado formalmente de violar os termos de sua liberdade condicional ao sair do país, ainda que a saída tenha ocorrido sob justificativa médica —ele estava em coma. O opositor teve uma sentença de prisão por fraude comutada em 2014, em uma ação que classifica como perseguição judicial.

Embora nominalmente independente, o Judiciário russo é alinhado ao Kremlin. A Justiça do país confirmou no mês passado a sentença do ativista. No total, ele foi condenado a três anos e meio de prisão, dos quais já cumpriu dez meses em regime domiciliar.

Diversos países do Ocidente, além da Corte Europeia de Direitos Humanos, pediram que a Rússia liberte Navalni, reação que Moscou disse ser uma interferência inaceitável em assuntos internos.

Os EUA também anunciaram sanções, que incluem o banimento de viagem ao país e o congelamento de bens no exterior de autoridades acusadas de tramar a prisão do ativista. A prisão de Navalni também provocou reações internas, com grandes manifestações, às quais as autoridades responderam com mais de 11 mil detenções.

Os aliados do opositor anunciaram na semana passada planos de realizar, nos próximos meses, o que esperam ser o maior protesto anti-Kremlin na história da Rússia moderna. As autoridades disseram que tais atos são ilegais.​

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