Descrição de chapéu Governo Biden

'Temos que agir', pede Biden a legisladores após ataque no Colorado

Presidente americano instou senadores a aprovarem medidas mais rígidas de controle de armas

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Washington | Reuters

Em seu primeiro pronunciamento após o ataque a tiros num supermercado que deixou ao menos dez mortos no Colorado (EUA), o presidente Joe Biden pediu aos legisladores que promulguem medidas mais rígidas de controle de armas de alta capacidade, comumente usadas em massacres.

“Esta não é e não deve ser uma questão partidária, é uma questão americana”, disse o democrata em entrevista coletiva na Casa Branca nesta terça-feira (23). “Temos que agir.”

O presidente pediu que o Senado aprove os dois projetos de lei que endurecem a checagem de precedentes para a compra de armas, já aprovados na Câmara dos Deputados. "Eu não preciso esperar mais um minuto —muito menos uma hora— para tomar medidas de bom senso que salvarão vidas no futuro e insto meus colegas na Câmara e no Senado a agirem."

O mandatário pediu ainda que armas de assalto sejam banidas. Questionado se proporia um decreto, dada a dificuldade de aprovar projetos no Senado (que precisam de 60 dos 100 votos, hoje divididos igualmente entre democratas e republicanos), Biden disse que falaria sobre isso mais tarde, sem dar detalhes.​

O presidente americano, Joe Biden, faz pronunciamento na Casa Branco após ataque a tiros que matou ao menos dez pessoas no Colorado
O presidente americano, Joe Biden, faz pronunciamento na Casa Branca após ataque a tiros que matou ao menos dez pessoas no Colorado - Mandel Ngan - 23.mar.2021/AFP

Pouco após o pronunciamento, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou que o governo considera uma série de ações executivas para lidar com a violência armada, além de propostas legislativas. "Estamos considerando uma série de alavancas", disse ela, que alertou que as possíveis ações não devem acontecer imediatamente. “Eu não esperaria uma nova proposta apresentada em menos de 24 horas.”

O presidente ofereceu condolências às famílias das vítimas e disse que ele e sua esposa, Jill Biden, ficaram arrasados ​​com as mortes. Biden, que não deu novas informações sobre o crime, falou antes de deixar Washington para ir a Columbus, no estado de Ohio, uma visita que marcará o 11º aniversário da assinatura do Affordable Care Act, conhecido como Obamacare. Ele disse ter conversado sobre o ataque com o chefe do FBI, a polícia federal americana, e com o secretário de Justiça, Merrick Garland.

O ataque desta segunda-feira (22), dentro de um supermercado em Boulder, cidade de cerca de 100 mil habitantes no subúrbio de Denver, deixou ao menos dez mortos, incluindo um policial.

O autor foi identificado como Ahmad Al Aliwi Alissa, 21, que ficou ferido e foi levado a um hospital depois de trocar tiros com a polícia. A expectativa é a de que ele seja levado para a prisão ainda nesta terça.

Os investigadores afirmam acreditar que ele agiu sozinho e disseram ainda não saber qual foi a motivação para o ataque. A arma utilizada foi um fuzil semiautomático AR-15, frequentemente usado em massacres.

Esse é o segundo ataque a tiros de grande repercussão nesta semana nos EUA. Na terça (16), um homem matou oito pessoas —seis delas mulheres de origem asiática— em três casas de massagens diferentes.

Os assassinatos consecutivos aumentam a pressão sobre Biden para cumprir as promessas de sua campanha sobre regulamentação de armas. O democrata não fez do tema uma prioridade durante as primeiras semanas de sua Presidência, mas o tom utilizado nesta quarta pode indicar uma mudança.

O presidente tem longo histórico de propostas para o controle de armas. Ele foi encarregado de apresentar um pacote legislativo de medidas em torno da questão pelo então presidente Barack Obama após os assassinatos de Sandy Hook, em 2012, mas o esforço não resultou em nenhuma ação significativa.

Qualquer tentativa de levar os EUA em direção a um maior controle de armas tem sido historicamente difícil, com forte oposição do Partido Republicano no Congresso e da Associação Nacional de Rifle (NRA, na sigla em inglês), influente lobby de armas estreitamente alinhado à legenda.

Além disso, o país tem a maior taxa de posse de armas por civis do mundo, segundo a Rand Corp, grupo apartidário sediado na Califórnia —o porte armas é um direito garantido na Constituição americana.

E nem mesmo os numerosos tiroteios em massa conseguiram levar os legisladores a aprovar uma legislação de controle de armas. Só em 2020, houve mais de 43 mil mortes por armas de fogo no país, de acordo com o Gun Violence Archive, que compila e divulga informações sobre violência nos EUA.

Ainda assim, quase 70% dos americanos apoiam a adoção de restrições federais "fortes ou moderadas" a armas. Propostas como verificação de antecedentes e criação de um bancos de dados para rastreamento têm um apoio público ainda maior, segundo uma pesquisa da agência de notícias Reuters de 2019.

Em 11 de março, a Câmara aprovou dois projetos de lei que endurecem a checagem de precedentes para a compra de armas —o texto foi apresentado pela primeira vez após um tiroteio em massa, em 2018, numa escola na Flórida. A primeira medida, que teve 227 votos a favor —8 dos quais de republicanos— e 203 contra, encerra uma lacuna de longa data ao expandir a checagem de antecedentes de quem compra armamentos pela internet, em feiras do setor e por meio de algumas transações privadas.

Já a segunda lei, aprovada por 219 deputados (com 2 votos republicanos) e rejeitada por outros 210, expande o prazo dado ao FBI para a verificação de antecedentes para dez dias úteis antes que uma venda seja autorizada. Atualmente, a transação é aprovada caso o governo não complete a checagem em três dias. Agora, as propostas seguem para o Senado.

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