Advogados acusam policiais de executarem homem negro em abordagem na Carolina do Norte

Andrew Brown Jr. foi morto durante tentativa de prisão na entrada de sua garagem

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Nova York e Wilton (Connecticut) | Reuters

Os advogados da família de Andrew Brown Jr., 42, um homem negro morto durante uma tentativa de prisão na última semana, na Carolina do Norte, afirmaram nesta segunda-feira (26) que imagens das câmeras acopladas aos uniformes dos agentes mostram que houve uma execução e acusaram autoridades de reter evidências.

As imagens da abordagem, ocorrida na última quarta (21), um dia após o julgamento de Derek Chauvin, policial branco condenado pela morte de George Floyd, um homem negro, em Minneapolis, foram mostradas à família da vítima nesta segunda.

Manifestantes protestam em frente à delegacia de Elizabeth City após imagens da abordagem que resultou na morte de Andrew Brown Jr. serem mostradas à família
Manifestantes protestam em frente à delegacia de Elizabeth City após imagens da abordagem que resultou na morte de Andrew Brown Jr. serem mostradas à família - Jonathan Drake/Reuters

Após ver o vídeo, a defesa relatou que a vítima tinha colocado suas mãos no volante do carro, na entrada de sua garagem em Elizabeth City, quando sete ou oito agentes começaram a disparar contra ele. Os policiais continuaram atirando após Brown sair com seu carro, tentando se afastar do local.

Segundo a advogada Chantel Cherry-Lassiter, o homem negro nunca mostrou ser uma ameaça. “Eles estavam atirando e dizendo ‘deixe eu ver suas mãos!’ ao mesmo tempo”, disse ela em uma entrevista coletiva nesta segunda. “Vamos ser claros: isso foi uma execução.” O atestado de óbito indica que Brown morreu devido a uma ferida a bala na cabeça, de acordo com a CNN.

Outro advogado da família, Ben Crump, disse que há evidência de ao menos nove câmeras, incluindo aquelas dos uniformes dos policiais e outras que são acopladas às viaturas, mas só uma parte de 20 segundos de duração foi mostrada à defesa. A decisão de não exibir mais gravações foi de Michael Cox, procurador do condado de Pasquotank, onde fica Elizabeth City.

“Nós não sentimos que obtivemos transparência. Vimos apenas um fragmento do vídeo”, disse Cump. “Eles iriam mostrar o vídeo inteiro, mas decidiram no último minuto que iriam editá-lo.”

Cox não respondeu ao pedido de comentário da agência de notícias Reuters. O procurador divulgou um comunicado nesta segunda para explicar o porquê da demora em liberar a evidência em vídeo. Ele afirmou que a legislação estadual permitia que policiais tivessem seus rostos borrados se fosse necessário para proteger uma investigação interna em andamento.

A divulgação das imagens também enfrenta um entrave burocrático. O caso está a cargo da agência de investigação do estado (SBI, na sigla em inglês), que detém os vídeos. A porta-voz da organização, Anjanette Grube, disse que não pode divulgá-los sem uma determinação judicial.

O delegado, Tommy Wooten, afirma que seu gabinete busca uma decisão judicial que libere a divulgação do vídeo para o público. Os advogados da família de Brown, por sua vez, disseram que uma audiência para decidir se as imagens podem ser divulgadas para a imprensa está marcada para quarta (28).

A morte de Brown gerou protestos pequenos e pacíficos em Elizabeth City, um município de 18 mil habitantes, metade dos quais formada por afro-americanos. O governo local, no entanto, declarou estado de emergência antes de mostrar as imagens à família, antecipando manifestações maiores.

Wooten e o subdelegado, Daniel Fogg, afirmaram na última semana que os tiros ocorreram enquanto os agentes tentavam executar mandados de prisão e de busca contra Brown, decorrentes de uma acusação criminal por drogas, e que a vítima tinha um histórico de resistência à prisão.

Eles pediram nesta segunda que o julgamento seja adiado até que se possa avaliar todas as evidências.

“Esse incidente trágico foi rápido e acabou em menos de 30 segundos, e [imagens de] câmeras acopladas são trêmulas e, às vezes, difíceis de serem decifradas. Elas contam apenas uma parte da história”, afirmou Wooten em um vídeo publicado em sua rede social nesta segunda. O gabinete do delegado disse na sexta que sete agentes receberam uma licença administrativa depois do caso. Outros três policiais se demitiram, mas, segundo divulgado, as saídas não estavam relacionadas com a morte de Brown.

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