Dezenas morrem durante tumulto em festival religioso em Israel

Ao menos 45 pessoas morreram e 150 ficaram feridas, das quais dezenas em estado crítico, segundo serviços de emergência

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Jerusalém | Reuters

Dezenas de pessoas morreram e outras dezenas ficaram feridas durante uma confusão em um evento que reunia judeus ultraortodoxos em Israel na madrugada desta sexta-feira (30, noite de quinta no Brasil).

O serviço de emergência confirmou ao menos 45 mortos e mais de 150 feridos, dos quais dezenas estão em estado crítico. Testemunhas disseram que as vítimas foram asfixiadas ou pisoteadas quando um alerta para evacuação provocou um tumulto. Dezenas de milhares de pessoas pulavam e dançavam durante o evento Lag B’Omer, no norte de Monte Meron, região da Alta Galileia, no norte do país.

Dezenas de milhares de judeus ultraortodoxos costumam se reunir no local, onde está o túmulo de Rabbi Shimon Bar Yochai, sábio do século 2, para comemorações anuais que incluem a noite inteira de oração e de dança, além de enormes fogueiras na encosta da montanha.

Equipe de emergência atua após tumulto em festival religioso no Monte Meron, no norte de Israel
Equipe de emergência atua após tumulto em festival religioso no Monte Meron, no norte de Israel - David Cohen-Jinipix/Reuters

"Pensamos que talvez houvesse um alerta [de bomba] sobre um pacote suspeito. Ninguém imaginava que isso pudesse acontecer aqui. Alegria se tornou luto, uma grande luz se tornou uma escuridão profunda", disse um peregrino que se identificou como Yitzhak à emissora de TV Canal 12.

Inicialmente, a mídia local havia reportado que parte da arquibancada da arena tinha desabado, o que depois não foi confirmado. Segundo o Times of Israel, o serviço de emergência atribui o caos à superlotação. Um vídeo de momentos antes do incidente mostra uma multidão na arena.

Os organizadores estimam que 100 mil pessoas estivessem no local, com outras 100 mil esperadas para chegar na manhã desta sexta. O jornal Times of Israel relata que a polícia tenta tirar a multidão do local para permitir o acesso das ambulâncias e que helicópteros foram enviados para evacuar os feridos.

Alto-falantes pediam em iídiche e hebraico que as pessoas abrissem caminho e permitissem que os socorristas passassem. Segundo a polícia, duas pessoas foram presas por atrapalhar os esforços dos agentes para manter a ordem no local. O rabino-chefe de Israel, Israel Meir Lau, que estava em um dos palcos no momento do colapso, permaneceu no local com outros rabinos, de acordo com o veículo israelense, recitando salmos para os feridos.

No Twitter, o premiê Binyamin Netanyahu descreveu a cena como um “grande desastre”.

“Houve cenas de partir o coração aqui. Pessoas que morreram esmagadas, incluindo crianças”, disse. O primeiro-ministro decretou o próximo domingo (2) como um dia de luto nacional, pediu à população que não espalhe rumores sobre as identidades das vítimas e prometeu abrir "uma investigação abrangente, séria e detalhada para garantir que esse tipo de desastre nunca aconteça novamente".

O presidente Reuven Rivlin também publicou na rede social que observava os acontecimentos com grande apreensão e orava pelos feridos. Rivlin anunciou a criação de linhas telefônicas de emergência para os que buscam informações sobre familiares que possam estar entre as vítimas e para apoio à saúde mental.

A celebração foi realizada a despeito dos temores de autoridades de saúde de que a aglomeração, uma das maiores desde o início da pandemia, pudesse representar um risco para a propagação da Covid-19. No ano passado, as tradicionais fogueiras na montanha foram canceladas devido às restrições do governo.

Mesmo com a abertura da economia após uma campanha de vacinação rápida e eficaz, o Ministério da Saúde chegou a pedir aos israelenses que não viajassem para o Monte Meron.

Israel é um dos países mais avançados na imunização contra o coronavírus: 62,4% da população já recebeu ao menos uma dose da vacina, e 58,7%, as duas, de acordo com dados do Our World in Data.

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