Assessor de Bolsonaro presta depoimento e pode ser indiciado por gesto racista

Polícia legislativa apura sinais feitos por Filipe Martins às costas do senador Rodrigo Pacheco

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Brasília

O assessor para assuntos internacionais da Presidência, Filipe Martins, prestou depoimento nesta quarta-feira (7) à Polícia do Senado Federal, numa investigação que apura gestos feitos às costas do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em 24 de março.

A apuração investiga se os gestos tinham conotação racista. Ao final do procedimento, que ocorre em sigilo, a polícia do Senado decidirá se ele será indiciado ao Ministério Público.

O assessor da Presidência Filipe Martins faz gesto considerado obsceno e racista no Senado
O assessor da Presidência Filipe Martins faz gesto considerado obsceno e racista no Senado - 24.mar.20/Reprodução

Interlocutores afirmam que Martins pouco acrescentou em relação à sua versão dada no dia do episódio —ele diz que estava apenas ajustando a lapela do terno. Expoente da ala ideológica do governo Jair Bolsonaro, o assessor acompanhava o ex-chanceler Ernesto Araújo numa sessão com parlamentares quando foi flagrado por câmeras do Senado fazendo um sinal às costas de Pacheco.

Juntando o polegar ao indicador, o assessor manteve os demais dedos esticados e fez movimentos repetitivos com a mão ao lado do paletó. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição, chamou a atenção dos presentes e disse que a gesticulação era obscena.

As críticas contra Martins se intensificaram porque o gesto também é ligado a movimentos racistas —Martins tem histórico de uso de símbolos associados à extrema direita. Pacheco, por exemplo, considerou o gesto feito pelo assessor "completamente inapropriado".

Na sessão no Senado, diversos parlamentares cobraram publicamente a demissão de Ernesto, que acabou confirmada dias depois. O ex-ministro foi substituído pelo diplomata Carlos França.

Senadores também cobraram a saída de Martins do Palácio do Planalto, mas, pelo menos por ora, Bolsonaro preservou seu auxiliar no cargo. No entanto, conselheiros do presidente dizem que ele deve ser afastado. De acordo com interlocutores, o presidente avalia qual é a melhor posição na Esplanada para alocar o assessor. O mais provável é que ele vá para a assessoria de algum ministério.

Para diminuir a pressão, Bolsonaro determinou que Martins submerja e evite novas aparições que possam renovar os apelos por sua demissão. Na segunda-feira (5), por exemplo, ele ficou de fora de uma cerimônia de entrega de credenciais de embaixadores estrangeiros. O assessor normalmente acompanhava esse tipo de solenidade, que marca o início da missão do diplomata estrangeiro no Brasil.

Na segunda, além de Bolsonaro, as principais autoridades brasileiras que participaram do ato no Planalto foram o novo chanceler e o chefe da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), almirante Flávio Rocha, que também comanda a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social).

Procurado pela Folha nesta quarta, Martins não respondeu.

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