Barco com 130 migrantes naufraga no mar Mediterrâneo

ONG encontrou ao menos dez corpos próximo à costa da Líbia e não localizou sobreviventes

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Roma | AFP

Ao menos dez corpos foram encontrados perto da costa da Líbia ao lado de um bote inflável que naufragou com cerca de 130 migrantes a bordo no mar Mediterrâneo, de acordo com informação divulgada pela ONG SOS Méditerranée nesta quinta-feira (22).

“Desde a nossa chegada ao local não encontramos sobreviventes, apesar de termos visto ao menos dez corpos perto dos destroços” do barco, explicou em nota Luisa Albera, coordenadora de busca e salvamento a bordo do Ocean Viking, o navio humanitário da ONG.

“Não temos esperança de encontrar sobreviventes”, afirmou Emmanuelle Chaze, jornalista que faz parte da tripulação da embarcação, em entrevista por telefone à agência de notícias AFP.

Migrantes africanos em Sidi Mansour, na Tunísia, aguardam por oportunidade para cruzar para Europa
Migrantes africanos em Sidi Mansour, na Tunísia, aguardam por oportunidade para cruzar para Europa - Fethi Belaid/AFP

A SOS Méditerranée recebeu um alerta na terça-feira (20) sobre a presença de três embarcações em águas internacionais perto da costa da Líbia. O aviso foi enviado por um um grupo de voluntários que informa sobre migrantes em dificuldade em alto mar. Então, o Ocean Viking e embarcações de carga se aproximaram da área, apesar das difíceis condições de navegação, com ondas de seis metros.

Um dos navios mercantes encontrou três corpos de migrantes mortos e, em seguida, um dispositivo da Frontex, a agência europeia de controle de fronteiras, encontrou os restos do barco inflável.

Rotas da África para a Europa via Mediterrâneo tiveram fiscalização reforçada nos últimos anos, o que não impede tentativas por esse trajeto ou pelo Atlântico até as Ilhas Canárias, por exemplo.

Neste caso, as travessias podem ser tanto ou mais perigosas, além de caras. O pescador Djiby Dieng, 21, contou, à agência de notícias AFP, que a travessia geralmente custa entre 150 mil e 300 mil francos CFA (R$ 1.400 a R$ 2.800) por pessoa, valor que equivale a mais de dois meses de renda de um pescador. Em alguns casos, familiares e amigos fazem uma “vaquinha” para juntar o dinheiro.

Para sua travessia, Dieng não pagou, pois fez um trato para ser um dos pilotos. Os viajantes deixaram a costa em pequenos barcos, que passam despercebidos entre as dezenas de embarcações de pesca.

Em seguida, em alto-mar, passaram para uma canoa grande, de cerca de 20 metros, em que fariam a travessia. Nem sempre, porém, conseguem chegar ao destino. “Éramos 131. Havia gente de todas as idades, jovens, velhos. Mas ficamos sem água e comida. Tínhamos umas 15 pessoas desidratadas. Por isso, perto da costa do Marrocos, decidimos parar”, conta Dieng.

Apenas neste ano, ao menos 453 migrantes morreram afogados no mar Mediterrâneo, a maioria na rota central que conecta as costas da Tunísia e da Líbia com as da Itália.

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