Esquerdista lidera boca de urna no Peru, com diferença mínima entre primeiros colocados

Candidatos mantêm tradição de café com apoiadores apesar de alta de casos de Covid

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Buenos Aires

Em uma disputa que chegou ao dia da votação, neste domingo (11), sem candidato favorito definido, a primeira pesquisa de boca de urna da eleição presidencial no Peru mostra uma diferença mínima entre os primeiros colocados. O esquerdista Pedro Castillo lidera o levantamento do Instituto Ipsos, divulgado às 23h locais (1h em Brasília), com 18,6% dos votos. Na sequência vem a direitista Keiko Fujimori, com 14,5%, indicando um possível segundo turno entre os dois candidatos.

A presença de Castillo entre os primeiros lugares é uma novidade das últimas semanas nas pesquisas no Peru, quando sua candidatura ganhou força com o desgaste da imagem dos primeiros colocados. Em pesquisa divulgada às 19h (21h em Brasília) apareciam também o economista Hernando de Soto, com 11,9%, e o esquerdista Yohny Lescano, com 11%.

O candidato esquerdista Pedro Castillo, do partido Peru Livre, durante evento de campanha em Lima - Gian Masko - 8.abr.21/AFP

Na manhã deste domingo, antes de irem votar, os candidatos mantiveram uma tradição eleitoral e organizaram generosos cafés da manhã a apoiadores, familiares e a alguns jornalistas, enquanto o Peru vive uma alta de casos de coronavírus.

Neste ano, os eventos foram em geral menores e ao ar livre. Os "desayunos" eleitorais servem para combinar as últimas estratégias e estimular o voto por meio de mensagens —um movimento importante, especialmente neste pleito em que levantamento do Ipsos aponta que as opções de anular o voto e a de não comparecer às urnas somam 30%.

A candidata de esquerda Veronika Mendoza foi uma das que mantiveram a prática, com um grupo menor, no quintal da casa de seu pai em Andahuaylillas, na região andina. Nas redes sociais, pediu que "todos votem com muita precaução e serenidade e acreditem que uma transformação é possível".

Segunda candidata mulher —foram apenas duas em meio a 18 candidatos—, Keiko Fujimori, tomou o café da manhã com o marido e as filhas, de modo privado, em Lima. Em sua declaração, relatou ter comido aveia, uma tradição em sua família. "É um alimento muito nutritivo e tradicional. Escolhemos porque minha avó sempre nos dava. Além disso, na cadeia, era o alimento mais importante que eu comia", disse ela, que nos últimos anos viveu um entra e sai da prisão devido ao processo que investiga seu envolvimento no esquema de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

Sobre a votação, afirmou que "é preciso esperar com muita prudência e serenidade os primeiros resultados da autoridade eleitoral, até que surjam números reais". O marido de Keiko, o americano Mark Vito, pegou o microfone e lhe disse: "Eu te amo e este é seu dia", declarou, com os olhos marejados.

O café da manhã do candidato George Forsyth, ex-goleiro do Alianza Lima, foi animado e com danças típicas no meio da mesa montada ao ar livre no seu comitê de campanha no bairro de Miraflores, em Lima.

Mas ele não participou do evento porque está em isolamento desde que recebeu o diagnóstico de Covid-19. O lugar principal da mesa, na cabeceira, ficou vazio, mas uma tela foi colocada ao fundo, por meio da qual Forsyth animou seus apoiadores e agradeceu o carinho.

Já o evento do economista Hernando de Soto também foi reduzido e ocorreu em um restaurante no distrito de Santiago de Surco, na capital peruana. Além da família do candidato, estavam presentes algumas celebridades, como o humorista Pablo Villanueva e o ex-jogador de futebol Hugo Sotil.

Soto afirmou que, apesar de não ter crescido no Peru, aprendeu a amar os costumes do país andino, como os longos cafés da manhã dominicais em família. "A razão pela qual estou me candidatando é porque estou apaixonado pelo Peru. Durante toda a juventude, tive curiosidade por esse país. Por isso tenho clareza das coisas hoje, mais do que nunca."

Para a organização do pleito, as autoridades eleitorais afirmaram ter havido dificuldade para a formação de 20% das mesas de votação no país, situação que, segundo elas, vinha sendo resolvida. Isso porque mesários se ausentaram do compromisso, provavelmente por medo da propagação do coronavírus.

Neste sábado (10), na véspera do dia da eleição, o Peru registrou seu recorde de mortes em 24 horas desde o início da pandemia, com 384 óbitos registrados, elevando o total para 54.669 vítimas.

O número veio em meio a uma sequência de altas —antes deste sábado, a maior marca alcançada era de 314 mortes, na quarta-feira (7)— e hospitais saturados, falta de oxigênio e um esforço do governo para obter vacinas. O Peru soma ainda mais de 1,6 milhão de casos de Covid-19 desde o início da pandemia, segundo dados do governo. De acordo com dados do Our World in Data, até quinta (8), apenas 1,9% da população havia recebido ao menos uma dose da vacina.

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