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China nega declínio populacional, mas evita divulgar data para resultados do censo

Sem dar detalhes, centro de estatísticas diz que população continua crescendo; país pode ter queda pela 1ª vez em 50 anos

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Pequim | Reuters

O Departamento Nacional de Estatísticas da China afirmou, nesta quinta (29), que o número de pessoas no país cresceu em 2020, em uma aparente tentativa de negar os relatos de declínio populacional.

Na terça (27), o Financial Times publicou reportagem segundo a qual a China estaria se preparando para anunciar a primeira queda em sua população em mais de 50 anos. Segundo o jornal britânico, o censo chinês teria constatado que a população do país caiu para menos de 1,4 bilhão, marca superada em 2019.

Ao adiar a divulgação dos resultados do censo realizado no ano passado, que estava prevista para o início de abril, o Departamento Nacional de Estatísticas afirmou que o atraso se deveu em parte à necessidade de “mais trabalho de preparação” antes do anúncio público. Nesta quinta, o órgão voltou a tratar do assunto por meio de um comunicado composto de uma única frase: "De acordo com nosso entendimento, em 2020 a população de nosso país continuou a crescer".

Funcionária do Departamento Nacional de Estatísticas coleta dados para o censo em Lianyungang, no leste da China - Zhu Huanan - 1º.nov.20/Xinhua

Faltou dizer, por exemplo, em comparação a que ano esse crescimento foi constatado e quando os dados completos apurados pelo censo serão disponibilizados publicamente.

O levantamento realizado em 2010 mostrou que a população da China continental era de 1,34 bilhão. Em 2019, esse número chegou a 1,4 bilhão. Assim, a população chinesa pode ter crescido se for considerado o período de uma década, mas caído em relação ao ano anterior.

A meta estabelecida por Pequim em 2016 era superar 1,42 bilhão de habitantes em 2020. Um ano antes, o Partido Comunista havia decidido abolir a política do filho único, regra que estava em vigor desde 1979 e determinava que os casais não tivessem mais de um filho.

Estima-se que a medida tenha impedido o nascimento de cerca de 400 milhões de pessoas desde sua aplicação. Casais que descumpriam as restrições estavam sujeitos a penas como pagamento de altas multas e perda de emprego, e havia denúncias de medidas mais duras de repressão à natalidade, como esterilizações e abortos forçados.

A última vez em que a China registrou uma queda no tamanho de sua população foi ainda anterior à política do filho único. Ocorreu entre 1959 e 1961, quando o país vivia a campanha "Grande Salto para a Frente", um plano para acelerar a industrialização, sob o comando de Mao Tsé-tung (1893-1976).

À época, a população encolheu 13,48 milhões em meio à fome causada pela desastrosa política econômica, segundo os dados do mesmo departamento que agora parece hesitar em dar uma previsão para a divulgação das estatísticas atualizadas.

"O censo é muito preciso, mas o motivo do atraso na publicação pode ser que algumas das especulações estão corretas", disse Liu Kaiming, especialista ouvido pela agência de notícias Reuters, citando dados que indicam queda da natalidade na China.

Em fevereiro, o Ministério da Segurança Pública chinês divulgou números que apontavam queda no número de recém-nascidos. Segundo os dados, houve 11,79 milhões de nascimentos em 2019 e, em 2020, esse número caiu para 10,035 milhões.

De acordo com as fontes consultadas pelo Financial Times, os resultados do censo são vistos como uma informação muito delicada e não serão divulgados enquanto diversos departamentos do regime chinês não chegarem a um consenso sobre os dados e suas consequências.

“Os resultados do censo terão um impacto enorme sobre a visão que os chineses têm de seu país e sobre o funcionamento de vários setores do governo”, disse ao jornal britânico Huang Wenzheng, do think tank Center for China and Globalization, em Pequim. “Eles precisam ser manejados com muito cuidado.”

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