Descrição de chapéu Governo Bolsonaro clima

Greta diz que Bolsonaro não leva clima a sério após corte de verba para ambiente

Ativista sueca compartilhou notícia sobre o presidente brasileiro; 'É quase como se nossos líderes do clima não estivessem levando isso a sério'

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São Paulo

A ativista sueca Greta Thunberg, 18, disse neste sábado (24) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não está “levando a sério” sua responsabilidade em relação ao clima após cortar quase R$ 240 milhões do Ministério do Meio Ambiente.

No Twitter, ela destacou um trecho de uma notícia do jornal britânico The Guardian e criticou o presidente: “‘Bolsonaro aprovou um corte de 24% no orçamento para o ambiente para 2021 comparado aos níveis do ano anterior, apenas um dia depois de prometer aumentar os gastos para combater o desmatamento’. Oops… É quase como se nossos ‘líderes do clima’ não estivessem levando isso a sério”.

Na sexta (23), o presidente brasileiro oficializou um corte de recursos para a área relacionada a mudanças do clima, controle de incêndios florestais e fomento a projetos de conservação do meio ambiente. Na véspera, ele havia prometido, em discurso na Cúpula de Líderes sobre o Clima, convocada pelo governo dos EUA, duplicar os recursos para combater o desmatamento ilegal.

Além de não aparecer no Orçamento, a promessa de duplicar recursos para fiscalização ambiental dependerá de corte em outras áreas para encaixar os recursos extras, já que a previsão orçamentária está no limite do teto de gastos —norma que impede o crescimento de despesas acima da inflação.

Mais cedo nesta semana, Greta afirmou em entrevista coletiva virtual da OMS (Organização Mundial da Saúde) na segunda-feira (19) que Bolsonaro “falhou em tomar responsabilidades para preservar as condições de vida atuais e futuras da humanidade”, referindo-se à gestão do meio ambiente e da pandemia de Covid-19 pelo governo brasileiro.

Greta Thunberg fala diante de microfone
A ativista sueca Greta Thunberg discursa durante manifestação de ambientalistas em Lausanne, na Suíça - Pierre Albouy - 17.jan.21/Reuters

Bolsonaro não respondeu às críticas mais recentes da ativista, mas o atrito entre eles não é novo.

Em dezembro de 2019, ele chamou Greta de pirralha ao ser questionado sobre o assassinato de indígenas: "Qual o nome daquela menina lá? De fora? Greta. A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço a uma pirralha dessa aí. Pirralha". Na ocasião, Greta reagiu ao insulto colocando a palavra "pirralha" na descrição de seu perfil nas redes sociais.

A sueca chamou atenção do mundo em 2019, quando iniciou um movimento de greves de estudantes que se espalhou por vários países para pressionar as autoridades a adotar ações mais incisivas no combate à crise do clima. Desde então, a ativista é vista como uma porta-voz da causa ambiental.

Bolsonaro tem sido criticado mundialmente tanto pelas políticas ambientais do governo brasileiro como pelo agravamento dos números da pandemia no país. Em seu discurso na Cúpula do Clima, Bolsonaro ignorou as críticas e disse que o Brasil está na "vanguarda do enfrentamento do aquecimento global".

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