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Hong Kong condena magnata da mídia à prisão por envolvimento em protestos

Jimmy Lai terá de cumprir 14 meses de detenção; outros ativistas também receberam sentenças

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Hong Kong | Reuters e AFP

Jimmy Lai, magnata da imprensa de Hong Kong, foi condenado nesta sexta-feira (16) a 14 meses de prisão por participar de protestos não autorizados contra o governo em 2019. Lai, 73, é dono do jornal Apple Daily, que publica críticas ao governo local e aos líderes chineses. Milionário, ele fez fortuna no setor de roupas antes de atuar em mídia e se tornar um dos principais ativistas pró-democracia de Hong Kong.

Em busca de apoio aos manifestantes, ele viajava com frequência a Washington para encontrar autoridades como o hoje ex-secretário de Estado Mike Pompeo, o que levou Pequim a considerá-lo um traidor. Lai cumpre prisão temporária e recebe agora a sua primeira condenação.

Ele também é alvo de outras acusações, como a de conspirar com forças estrangeiras e a de tentar obstruir a Justiça, podendo assim ser alvo de mais punições no futuro.

O empresário Jimmy Lai, em seu escritório em Hong Kong - Anthony Wallace - 16.jun.20/AFP

No começo desta semana, o empresário divulgou uma carta, escrita na prisão, em seu jornal. "É nossa responsabilidade como jornalistas buscar justiça. Enquanto não deixarmos o mal avançar sobre nós, estamos cumprindo nossa responsabilidade", escreveu.

Além de Lai, outros quatro acusados foram condenados a penas entre 8 e 18 meses de prisão por organizar e participar do protesto pacífico de 18 de agosto de 2019, que pedia mais participação democrática e responsabilização da polícia pela repressão dura aos ativistas em outros atos.

O magnata também foi julgado por envolvimento em outro protesto, no dia 31 de agosto, e considerado culpado. A soma das penas é de 14 meses. A juíza Amanda Woodcock disse que, embora a manifestação do dia 18 tenha sido pacífica, havia "risco latente de possível violência", o que justifica as sentenças.

Nesta sexta, a Justiça concedeu liberdade condicional a outros quatro acusados, incluindo o famoso advogado Martin Lee, 82, conhecido como o "pai da democracia" em Hong Kong, e a advogada e ex-deputada Margaret Ng, 73. O processo contra os ativistas é criticado por entidades internacionais, que alertam para a redução da democracia em Hong Kong. "As condenações injustas sublinham a intenção do governo de eliminar toda a oposição", disse Yamini Mishra, diretora regional da Anistia Internacional.

As manifestações de 2019, realizadas ao longo de meses, questionavam a diminuição dos direitos políticos em Hong Kong, garantidos por um acordo feito entre China e Reino Unido. Em 1997, os britânicos devolveram o controle da região para Pequim, com a condição de que ali haveria regras diferentes do resto do país, como liberdade de expressão e de imprensa, durante 50 anos.

Os protestos mergulharam o território semiautônomo em sua maior crise em décadas. No entanto, com a chegada da pandemia, os atos perderam força. Em seguida, Pequim impôs uma lei de segurança nacional, punindo qualquer ato que considere divisão, subversão, terrorismo ou conluio com forças estrangeiras —com possibilidade de pena de prisão perpétua.

Desde a promulgação da lei, em meados de 2020, os protestos pararam. O governo tem apertado ainda mais o cerco à oposição e trabalha em uma mudança no sistema eleitoral, para garantir que apenas "patriotas" pró-China governem Hong Kong. As autoridades do território e da China dizem que as mudanças são necessárias para restaurar a estabilidade e que os direitos humanos serão mantidos.

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