Morre teólogo Hans Küng, um dos principais críticos da Igreja Católica

Suíço defendia descentralização da igreja e foi proibido pelo Vaticano de ensinar teologia católica

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Berlim | AFP e Reuters

Hans Küng, teólogo suíço crítico da Igreja Católica, morreu nesta terça-feira (6) na cidade de Tübingen, na Alemanha, aos 93 anos, anunciou a Fundação de Ética Global, fundada por ele.

"Lamentamos a perda do nosso fundador e presidente de longa data, Hans Küng. Foi e continua sendo uma honra para nós poder continuar o trabalho de sua vida. Vamos preservá-lo, levá-lo adiante e desenvolvê-lo ainda mais —e nos curvaremos em gratidão", afirmou a fundação em redes sociais.

O teólogo e filósofo suíço Hans Küng durante entrevista em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul
O teólogo e filósofo suíço Hans Küng durante entrevista em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul - Lucas Uebel - 20.out.07/Folhapress

Küng, nascido em 19 de março de 1928 em Sursee, na Suíça, foi professor emérito de teologia ecumênica na Universidade de Tübingen. Em 2013, aposentou-se da vida pública por questões de saúde —ele tinha mal de Parkinson. A fundação não especificou a causa da morte do autor de "Ética Mundial na América Latina".

Em 1979, o Vaticano proibiu Küng, um dos mais jovens participantes do Concílio Vaticano 2º, de ensinar teologia católica após uma controvérsia sobre o dogma da infalibilidade do papa. À época, ele também ignorou a pressão do Vaticano para se retratar. Em resposta, a Universidade de Tübingen o tornou professor de teologia ecumênica, posto no qual escreveu dezenas de livros e artigos.

No concílio, realizado entre 1962 e 1965, Küng defendeu uma igreja descentralizada, com a permissão do casamento de padres e do controle de natalidade. As ideias, como se sabe, não foram adotadas.

Mais recentemente, em 2010, exigiu que o papa Bento 16 fizesse um "mea culpa" pela forma como os casos de pedofilia na igreja foram acobertados durante décadas. Küng criticou a atitude do pontífice emérito, abalado pelas revelações sobre abusos sexuais cometidos no passado por membros do clero.

O teólogo suíço celebrou em 2013 a eleição do papa Francisco como "a melhor escolha possível [...], já que é um latino-americano de mente aberta" e descreveu o argentino como "um raio de esperança".

Em suas memórias, ele citou a luta do papa João Paulo 2º, morto em 2013, contra o mal de Parkinson e o sofrimento silencioso do boxeador Muhammad Ali, também afetado pela doença, como modelos que não queria seguir. "Por quanto tempo mais minha vida será vivida com dignidade?", questionou. "Ninguém é obrigado a sofrer o insuportável como algo enviado por Deus."

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