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Plataforma de mensagens Discord exclui 30 mil contas por conteúdo extremista

Denúncias de violação das diretrizes subiram 50% no segundo semestre de 2020

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São Paulo

A plataforma de mensagens Discord excluiu mais de 30 mil contas e 2.000 servidores ligados a conteúdo extremista ou violento no segundo semestre de 2020, segundo seu relatório semestral de transparência divulgado na última sexta-feira (2).

Concebida inicialmente para adeptos de jogos online, a ferramenta passou a agregar grupos para discussão de assuntos diversos, inclusive relacionados a trabalho, quando a pandemia de coronavírus fez com que as pessoas migrassem seu cotidiano para o mundo virtual.

Apoiadores de Donald Trump mostram tela de celular com referências à teoria da conspiração QAnon durante evento de campanha em Las Vegas
Apoiadores de Donald Trump mostram tela de celular com referências à teoria da conspiração QAnon durante evento de campanha em Las Vegas - Mario Tama - 21.fev.20/AFP

Assim, o Discord teve crescimento de 40% de usuários entre junho e dezembro de 2020 e alcançou um total de 140 milhões de pessoas —o que chamou a atenção de grandes empresas de tecnologia, como a Microsoft, que negocia comprar a ferramenta por mais de US$ 10 bilhões (R$ 56,4 bilhões), segundo publicou a Bloomberg no fim de março.

A expansão de usuários, porém, trouxe mais denúncias de violações de suas diretrizes —as reclamações subiram 50% no segundo semestre do ano passado em comparação com os seis meses anteriores, e as categorias de violações passaram de 11 para 14, ainda que as três novas sejam desmembramentos das que já existiam anteriormente.

O conteúdo extremista ou violento faz parte dessas novas categorias, junto com material relacionado a abuso sexual infantil e preocupações com automutilação. Chama a atenção no relatório que o extremismo representa apenas 1,4% das 355.633 denúncias de usuários, mas equivale a 11,3% das contas deletadas (exceto aquelas por spam) e 8,1% dos servidores excluídos.

No segundo semestre do ano passado, o Discord deletou 266.075 contas (sem considerar aqueles classificados como spam, que somaram 3,26 milhões de exclusões) e 27.410 servidores.

A plataforma explica que, a partir das denúncias, determina alguma providência após confirmar a violação de suas diretrizes. Isso inclui aviso ou exclusão do servidor, banimento temporário de conta, remoção de conteúdo ou outro tipo de medida. No caso das denúncias de extremismo, 38,4% das queixas levaram à adoção de alguma dessas ações.

O Discord afirma ter uma atuação proativa contra grupos paramilitares, citando especificamente os Boogaloo Boys (uma facção americana de extrema direita), e o QAnon —uma teoria da conspiração segundo a qual o governo americano é comandado por uma seita de pedófilos que o ex-presidente Donald Trump tentava destruir. O grupo já foi alvo de banimento do Facebook e suspensão do Twitter.

A plataforma também trouxe dados das medidas tomadas contra outras formas de violação de suas diretrizes. Assédio continua como principal motivo de denúncias de usuários, respondendo por 37,3% do total. Na sequência, vem a categoria cibercrime, que corresponde a 12% das queixas e que viu um salto de 250% em relação ao primeiro semestre de 2020.

Apesar de responder por grande parte das denúncias, a categoria assédio ficou em segundo lugar no número de contas excluídas (exceto aquelas de spam) e em terceiro no de servidores deletados, com uma fatia de 12,6% do total em ambos os casos.

Entre as contas deletadas, a exclusão por conteúdo exploratório vem em primeiro lugar e responde por 48,6% do total. Já entre os servidores, a categoria cibercrime lidera, com uma fatia de 21,4%, seguida por conteúdo exploratório, 18,6%.

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