Descrição de chapéu Governo Trump

Policiais realizam busca em apartamento e escritório de Rudolph Giuliani, advogado de Trump

Promotores investigam ligação do aliado do ex-presidente com autoridades e oligarcas da Ucrânia

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São Paulo

Policiais federais realizaram nesta quarta (28) uma operação de busca e apreensão no apartamento e no escritório de Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York e advogado pessoal do ex-presidente Donald Trump.

De acordo com o New York Times, o primeiro a noticiar a operação desta quarta, os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos que pertencem a Giuliani e que estavam no apartamento dele em Manhattan. Ele é investigado por procuradores federais de Nova York por sua ligação com oligarcas da Ucrânia, em um caso que está conectado ao processo de impeachment sofrido por Trump em 2019.

Rudolph Giuliani discursa em Washington em ato em apoio a Donald Trump
Rudolph Giuliani discursa em Washington em ato em apoio a Donald Trump - Jim Bourg - 6.jan.21/Reuters

O advogado de Giuliani, Bob Costello, classificou a busca como desnecessária, segundo o jornal americano, porque seu cliente se ofereceu para responder às perguntas dos procuradores que realizam a investigação, exceto aquelas relacionadas a comunicações sigilosas com o ex-presidente. "O que fizeram hoje foi uma violência legal", afirmou o advogado.

A realização de uma operação de busca indica que as investigações de corrupção contra o ex-prefeito de Nova York estão avançando. Para que esse tipo de ação aconteça, os promotores precisam convencer um juiz de que há fortes indícios de que um crime tenha ocorrido e que a busca vai encontrar provas disso.

É bastante incomum nos EUA que a Justiça autorize esse tipo de ação contra advogados, devido ao risco de que comunicações sigilosas com seus clientes acabem sendo violadas.

Amigo e um dos principais representantes da base mais conservadora de Trump, Giuliani esteve no centro de diversos escândalos durante o governo do republicano, incluindo as investigações sobre a interferência da Rússia nas eleições dos EUA e a ofensiva americana sobre o presidente da Ucrânia para investigar e obter informações contra o democrata Joe Biden —o que levou Trump a enfrentar um processo de afastamento barrado pelo Senado, que tinha maioria republicana.

Apesar de não ter cargo oficial no governo, atuou como interlocutor de Trump em diversas conversas com líderes estrangeiros —inclusive com Jair Bolsonaro, durante visita do brasileiro a Nova York, em 2019.

Depois da derrota de Trump para Biden na eleição de 2020, Giuliani também se tornou o principal porta-voz das acusações infundadas feitas pelo republicano de que o pleito teria sido fraudado.

Giuliani ganhou fama atuando como promotor federal linha-dura, que defendia punições severas para quem cometesse crimes. Foi com esse discurso que acabou vencendo duas eleições para prefeito de Nova York —ele comandou a maior cidade americana de 1994 a 2001.

Segundo a investigação, Giuliani teria feito lobby dentro do governo dos EUA a mando de Kiev e de empresários do país do Leste Europeu. Ele teria atuado, principalmente, para convencer a Casa Branca a trocar a então embaixadora do país na Ucrânia, Marie L. Iovanovitch —o que Trump acabou fazendo.

A lei americana estabelece que é crime tentar influenciar o governo por ordem de uma nação estrangeira sem informar com antecedência ao Departamento de Justiça —o que Giuliani não fez.

Em troca, os oligarcas e as autoridades ucranianas teriam prometido buscar informações comprometedoras sobre Biden, então principal candidato democrata à Presidência dos EUA —e que acabou derrotando Trump em novembro do ano passado.

Os agentes também querem saber se Giuliani teria recebido propina dos empresários ucranianos para atuar como uma espécie de lobista informal dentro da Casa Branca. Duas pessoas ligadas a Giuliani, Lev Parnas e Igor Fruman, foram acusadas de crimes eleitorais em 2019 e devem ir a julgamento em outubro.

Nesta quarta também foi cumprido um mandado de busca na casa de Victoria Toensing, em Washington, uma advogada próxima a Giuliani que negociava com vários ucranianos envolvidos na procura por informações negativas ligadas a Biden, segundo pessoas próximas ao caso relataram o New York Times.

Toensing, ex-promotora federal e funcionária do Departamento de Justiça, também foi representante de Dmitri Firtash, oligarca ucraniano que enfrenta processo nos EUA e que Giuliani buscou para obter ajuda.

Ainda segundo o jornal americano, os promotores que cuidam do caso contra o ex-prefeito de Nova York chegaram a avaliar a possibilidade de realizar a ação de busca no segundo semestre de 2020 —quando Trump ainda era presidente—, mas a ideia foi vetada pela cúpula do Departamento de Justiça. Quando Merrick Garland, secretário de Justiça nomeado por Biden, assumiu a pasta, o sinal verde foi obtido.

Nem o departamento nem o FBI (a polícia federal americana, que conduziu a operação de busca) se manifestaram até o momento sobre o caso.

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