Principal advogado de opositor russo Alexei Navalni é preso em Moscou

Ivan Pavlov, que representa inimigo do Kremlin, foi solto, mas é acusado de revelar detalhes de investigação policial

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São Paulo

O principal advogado que defende Alexei Navalni, 44, o maior nome da oposição ao presidente Vladimir Putin, foi preso nesta sexta-feira (30), poucos dias após a Justiça da Rússia ordenar a suspensão das atividades das organizações ligadas ao oposicionista, sob acusação de extremismo.

Ivan Pavlov foi detido após agentes do FSB (Serviço Federal de Segurança, sucessor da KGB) invadirem seu quarto de hotel em Moscou, disseram pessoas familiarizadas ao assunto ao New York Times.

O advogado foi acusado de revelar detalhes de uma investigação policial não relacionada a Navalni e posteriormente solto por um juiz, embora tenha sido proibido de usar a internet ou o telefone.

O advogado russo Ivan Pavlov em tribunal em Moscou em setembro de 2020
O advogado russo Ivan Pavlov em tribunal em Moscou em setembro de 2020 - Reuters TV

Segundo fontes ouvidas pela publicação americana, os agentes do governo vasculharam os escritórios de seu grupo de advocacia em São Petersburgo, o Team 29, nomeado assim devido ao artigo da Constituição Russa que garante a liberdade de pensamento e expressão.

Pavlov é um advogado de direitos humanos muito conhecido na Rússia, e entre seus clientes está Ivan Safronov, um ex-jornalista acusado de fazer espionagem para a Otan (aliança militar do Ocidente). O Team 29 disse ao New York Times que Pavlov estava sendo investigado por supostamente revelar detalhes confidenciais do caso Safronov à mídia. Sua prisão representa a escalada da campanha do Kremlin para abafar a oposição no país, o que trouxe preocupações à comunidade ativista.

“A prisão de Ivan está ligada à sua atividade profissional”, disse um grupo de advogados em uma carta aberta nesta sexta. “Acreditamos que essas ações das forças de segurança visam exclusivamente assustar Ivan e seus colegas, a fim de forçá-los a rejeitar uma posição ativa na defesa de seus clientes.”

Na segunda (26), a Justiça ordenou a suspensão das atividades de organizações ligadas a Navalni —o Judiciário russo é nominalmente independente, mas as decisões frequentemente estão alinhadas aos interesses do Kremlin. A medida judicial está vinculada a um processo em que os promotores pedem o banimento definitivo dos grupos, sob acusação de extremismo. Se condenadas, os grupos ficarão proibidos de participar das eleições, de organizar protestos ou publicar qualquer conteúdo na internet.

O termo "extremismo" tem uma definição muito ampla na lei russa e permite às autoridades lutar contra organizações de oposição, facções racistas ou terroristas, bem como grupos religiosos como as Testemunhas de Jeová. A prisão desta sexta também acontece apenas quatro dias depois de Pavlov assumir a defesa de Navalni que, nesta quinta (29), fez sua primeira aparição em vídeo desde que encerrou uma greve de fome, na semana passada, após 24 dias.

O ativista, cujas declarações e rede de apoiadores vêm gerando dores de cabeça ao Kremlin, perdeu 22 kg nesse período, segundo sua defesa. Ele participou por vídeo de uma audiência no caso em que é acusado de difamar um veterano russo da Segunda Guerra Mundial.

Navalni está preso desde janeiro, acusado formalmente de violar os termos de sua liberdade condicional ao sair do país, ainda que a saída tenha ocorrido sob uma justificativa médica —ele estava em coma.

Em fevereiro, ele foi considerado culpado de difamar um militar russo que combateu na Segunda Guerra e que participou de um vídeo em apoio às reformas constitucionais no ano passado —um referendo que autorizou a mudança que deu a Putin o direito de concorrer a mais dois mandatos no Kremlin e permanecer no poder até 2036.

Com The New York Times

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