Repórter policial grego é morto a tiros ao voltar para casa em Atenas

Jornalista foi baleado por homem em garupa de motocicleta; entidades alertam para aumento de agressões na Europa

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Bruxelas

Um repórter grego especializado em coberturas policiais, Giorgos Karaivaz, 50, foi morto a tiros perto de sua casa em Atenas, nesta sexta (9).

A polícia afirmou não ter pistas sobre o atirador nem sobre o motivo do crime, e entidades de defesa da liberdade de imprensa têm alertado para o aumento no número de agressões a jornalistas na Europa.

“O assassinato é um lembrete trágico de que o jornalismo é uma profissão perigosa na Europa. Apelo às autoridades para que investiguem de forma urgente e completa este crime e garantam que os autores​​sejam responsabilizados”, escreveu em rede social Dunja Mijatović, da entidade de direitos humanos Conselho da Europa.

Faixa de isolamento vermelha e branco é atravessada para proteger trecho de rua, dois policiais vestidos de preto conversam ao lado de uma câmera de TV
Polícia investiga local em que o repórter grego Giorgos Karaivaz foi morto a tiros, na sexta - Yiannis Panagopoulos - 9.abr.2021/Eurokinissi/AFP

No ano passado, 378 alertas de agressão foram registrados pelo Media Freedom Rapid Response (MFRR), entidade criada para oferecer apoio a jornalistas ameaçados.

Na Grécia, Sokratis Giolias, outro repórter investigativo do país, também foi morto a tiros do lado de fora de sua casa, há 11 anos; os culpados nunca foram encontrados.

Em julho do ano passado, o proprietário de um jornal sobreviveu após ser baleado no pescoço e no peito por um homem encapuzado do lado de fora de sua casa. O caso ainda está sob investigação.

Karaivaz levou ao menos seis tiros por volta das 14h, quando voltava para casa da emissora de TV em que trabalhava. O atirador estava na garupa de uma motocicleta. No total, ao menos 12 cartuchos foram encontrados no local. A morte foi relatada por seus colegas no telejornal em que ele trabalhava. “É o nosso próprio Giorgos Karaivaz, que o público vê todos os dias, que todos esses anos trabalhou em muitos assuntos difíceis, que fez várias apurações sobre crimes”, disse a âncora do programa.

Segundo colegas, ele não havia recebido ameaças. Entre os casos que ele investigava estavam a prisão de um ex-diretor do Teatro Nacional Grego suspeito de agressão sexual a menores, a avaliação de policiais graduados e a proteção policial a um apresentador de televisão, considerada desproporcional.

​“Quem pensa que desta forma pode silenciar os jornalistas está enganado. Há outros 6.099 que vão investigar e exigir saber o que aconteceu”, disse, no local do crime, a presidente do Sindicato dos Jornalistas, Maria Antoniadou. O governo grego afirma trabalhar para prender os assassinos de Karaivaz. “O homicídio chocou a todos nós”, disse em comunicado a porta-voz, Aristotelia Peloni.

“Assassinar um jornalista é um ato desprezível e covarde. A Europa representa a liberdade. E a liberdade de imprensa pode ser a mais sagrada de todas. Os jornalistas devem ser capazes de trabalhar com segurança”, escreveu em rede social —em grego e em inglês— a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A vice-presidente da Comissão, Vera Jourová, responsável pela área de Valores e Transparência, também se declarou “profundamente chocada”. “A justiça deve ser feita, e a segurança dos jornalistas, garantida.”

A agressão a jornalistas é também um problema grave no Brasil, que ocupa a oitava posição no ranking de impunidade de assassinatos do CPJ (Comitê para Proteção de Jornalistas). O índice leva em consideração a proporção entre crimes e população total do país e casos ocorridos entre setembro de 2010 e 31 de agosto de 2020. Ameaçados e sem segurança de que serão protegidos, jornalistas brasileiros são forçados a mudar de endereço ou evitar temas.


os ataques a jornalistas na União Europeia

378 alertas de agressão à mídia foram feitos em 2020, com 1.159 pessoas ou veículos atacados, em 29 países

25,9% das agressões ocorreram em manifestações

22% do total de incidentes envolveu agressão física a jornalista; 9% ficaram feridos

Em 9,8% dos casos jornalistas foram detidos ou presos ao fazer seu trabalho

O agressor foi um policial em 21,4% das vezes

Funcionários públicos, parlamentares, membros do governo ou do Judiciário foram autores de 23,8% das agressões

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