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Após protestos, presidente da Colômbia anuncia subsídio a salário de jovens

Iván Duque também determinou remoção de bloqueios nas estradas feitos por ativistas

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São Paulo e Bogotá | Reuters

O presidente colombiano, Iván Duque, anunciou na noite desta segunda-feira (17) a criação de um plano de emprego para jovens que subsidiará 25% do valor de um salário mínimo para cada contratado. A proposta, chamada de Plano de Choque, atenderá pessoas de 18 a 28 anos.

O anúncio foi feito como resposta aos protestos realizados no país desde o fim de abril e que reúnem demandas variadas. "Queremos ajudar os jovens que buscam a primeira oportunidade. Temos dialogado com eles e entendemos suas preocupações", disse Duque, em pronunciamento.

Manifestantes marcham durante protesto em Medellín
Manifestantes marcham durante protesto em Medellín - Joaquin Sarmiento - 16.mai.21/AFP

O presidente afirmou que o valor do subsídio praticamente equivale aos gastos que as empresas têm com a seguridade social dos contratados. O salário mínimo na Colômbia é atualmente de 908.526 pesos (cerca de R$ 1.300) mensais —no Brasil, o valor é de R$ 1.100. Duque também determinou que as forças de segurança acabem com as barricadas nas estradas, feitas pelos manifestantes nas últimas semanas. Pressionado pelas críticas à dura repressão aos protestos, afirmou que as remoções serão feitas em coordenação com governos locais e de modo a respeitar os direitos humanos.

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Os bloqueios, muitos deles montados por moradores do interior e por caminhoneiros, geram falta de comida e combustível pelo país, especialmente em Cali, que se tornou o epicentro das manifestações.

Na semana passada, 700 mil toneladas de comida não puderam ser transportadas. O vandalismo nas manifestações e as barreiras nas rodovias geraram prejuízo de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,4 bilhões), segundo o governo. Duque disse que alguns dos bloqueios foram feitos por pessoas ligadas ao crime e a grupos guerrilheiros e os culpou por cenas de violência registradas nas últimas semanas.

Os protestos no país continuaram no fim de semana e também nesta segunda (17), dia de feriado nacional. Desde o início da crise, os confrontos com as forças de segurança deixaram ao menos 42 mortos e mais de 1.500 feridos, de acordo com dados oficiais.

A ONU, os Estados Unidos, a União Europeia e ONGs de direitos humanos denunciaram graves excessos cometidos pela polícia. Na semana passada, por exemplo, um policial foi acusado pela Defensoria Pública de matar um jovem de 17 anos com um tiro na cabeça durante as manifestações em Cali.

Segundo o órgão, em 28 de abril, o agente Luis Piedrahita recebeu um chute do adolescente enquanto estava de moto. Ele desceu do veículo e, de pé, disparou contra o jovem. Para os promotores, não há como dizer que o policial tenha agido em legítima defesa. Se condenado, ele pode pegar até 25 anos de prisão.

Inicialmente, os colombianos foram às ruas contra a reforma tributária proposta por Duque. Apesar de ele ter retirado o projeto legislativo, a violenta repressão aos protestos seguiu alimentando o descontentamento. Desde então, os atos se multiplicaram, sem agenda ou direção definida, mas com demandas que exigem um país mais justo e um Estado mais solidário e que garanta vida e segurança.

Na noite de segunda (17), houve uma nova reunião entre o governo e o Comitê Nacional de Greve, que reúne parte dos setores que protestam nas ruas, mas não houve acordo. O comitê pediu a Duque que condenasse "de maneira explícita e contundente os abusos da Força Pública" e reconhecesse a responsabilidade nas agressões durante os protestos, entre outras demandas, como a saída das ruas do Exército e do esquadrão de choque. "Esperávamos uma resposta às nossas exigências de garantias para os protestos (...) e o governo disse não a tudo", afirmou o comitê, em comunicado após o encontro.

Em resposta às críticas, o governo disse que "expressou publicamente seu respeito ao protesto pacífico e estabeleceu as condições para seu exercício".

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