Descrição de chapéu Governo Biden Coronavírus

Atrás da China em doações de vacinas, EUA ainda não definiram para onde enviarão doses

Em entrevista coletiva, autoridade americana afirma que governo não tomou decisão final sobre destino de imunizantes

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Washington

Atrás da China em doações de vacinas e sob pressão para ajudar países mais pobres, os Estados Unidos ainda não definiram para onde vão as 80 milhões de doses de imunizantes que Joe Biden prometeu distribuir para o exterior até o fim de junho.

Em entrevista coletiva nesta quarta (19), Gayle Smith, coordenadora da resposta global à Covid do Departamento de Estado americano, afirmou que o governo não tomou uma decisão final sobre o destino dos imunizantes e disse que não poderia apresentar um plano detalhado sobre a alocação das doses.

"Estamos olhando para todas as regiões, dadas as limitações no fornecimento de vacinas literalmente em todos os lugares, e ainda não tomamos decisões finais", afirmou Smith. "Não posso dizer neste momento qual será a alocação [das doses distribuídas] por país."

O presidente dos EUA, Joe Biden, durante evento na Casa Branca, em Washington
O presidente dos EUA, Joe Biden, durante evento na Casa Branca, em Washington - Nicholas Kamm - 17.mai.21/AFP

Durante pronunciamento na segunda-feira (7), Biden anunciou que iria enviar mais 20 milhões de doses de vacina para o exterior até o fim do próximo mês, somando-se às 60 milhões de doses da AstraZeneca que ele já havia se comprometido a distribuir a outros países no mesmo período.

O democrata quer liderar a diplomacia da vacina, hoje comandada pela China, que já compartilhou com outros países 252 milhões de doses, ou seja, 42% do total de sua produção. Para comparação, as 80 milhões de doses prometidas pelos EUA representam 13% da fabricação local. A União Europeia, por sua vez, já exportou 111 milhões de doses, e a Rússia, 27 milhões, segundo o Wall Street Journal.

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O governo americano comprou vacinas suficientes para imunizar três vezes toda a população, aplicou ao menos uma dose em 60% dos adultos do país e vinha sendo criticado por priorizar a vacinação interna, mesmo com excedentes de doses, enquanto diversos lugares do mundo estão sofrendo com aumento de casos, mortes e novas variantes, como é o caso de Brasil e Índia.

Nesta quarta, Smith deu o tom da corrida internacional. Disse que "80 milhões [de doses] é o começo" e que, com ajuda de outros parceiros, os EUA poderão expandir a ajuda ao exterior. "Podemos fazer muito, podemos estar na frente, podemos fazer o máximo, mas não podemos fazer isso sozinhos."

De acordo com a Casa Branca, os 20 milhões de novas doses sairiam do escopo dos três imunizantes já aprovados para uso nos EUA —Pfizer, Moderna e Janssen—, enquanto os 60 milhões da AstraZeneca ainda precisam do aval da FDA, agência reguladora americana.

Desde março, o governo brasileiro —por meio da embaixada em Washington e do Itamaraty— tem pedido para receber doses excedentes de imunizantes dos EUA. Até o início desta semana, autoridades americanas não haviam dado uma resposta assertiva sobre o envio das vacinas ao Brasil, apesar de terem sinalizado ao governo brasileiro que o país era um dos destinos considerados por Biden.

O Planalto procurou a Casa Branca somente depois de a imprensa americana noticiar que Biden avaliava doar doses, e após outros países já terem feito o mesmo pedido, como o México. A embaixada dos EUA no Brasil afirma que está "ciente da solicitação brasileira" e que o governo americano teria "mais a dizer sobre como estamos distribuindo as vacinas nas próximas semanas''.

Na entrevista desta segunda, Smith seguiu o mesmo roteiro. Questionada sobre a solicitação específica do Brasil, disse que ouviu pedidos "de todas as regiões do mundo, considerando a demanda por vacinas em todos os lugares". "Vou deixar assim", finalizou.

Smith repetiu o discurso de Biden de que as vacinas são uma ferramenta de saúde pública para conter a pandemia globalmente e que a distribuição das doses pelos americanos não servirá para pressionar ou influenciar outros países. "Nossas decisões serão tomadas com base nos dados de saúde pública e na colaboração com parceiros-chave, incluindo o Covax", afirmou, em referência ao consórcio Covax Facility, iniciativa vinculada à OMS para distribuição de doses a países em desenvolvimento.

Ela disse ainda estar ciente do que chamou de "necessidade aguda" de países da América Latina e do Caribe e que conversou com vários representantes da região, sem especificar quais. Os EUA já haviam acordado em março o empréstimo de 4 milhões de doses da AstraZeneca para México e Canadá, mas o número destinado aos países vizinhos foi considerado simbólico.

No fim de abril, houve o anúncio do compartilhamento dos 60 milhões de doses da AstraZeneca, que estavam paradas nos estoques, sem autorização de uso pela FDA.

Agora, com a aceleração da imunização no país e a promessa de volta à normalidade em julho, Biden quer dar um passo rumo à liderança da diplomacia da vacina, espaço que, até agora, está ocupado pelos seus principais rivais geopolíticos, China e Rússia.

Depois da entrevista coletiva, o embaixador do Brasil nos EUA, Nestor Forster, reuniu-se com Smith ao lado de outros embaixadores, representantes de países do hemisfério ocidental. Forster disse ter ressaltado a importância das vacinas para o Brasil e que o país “saúda a disposição dos EUA em oferecê-las em breve aos países.”

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