Descrição de chapéu oriente médio

Prédio desaba em Gaza após ataque de Israel durante transmissão ao vivo; veja vídeos

Torre de 14 andares foi alvo de bombardeios israelenses em conflito que já deixou ao menos 139 mortos

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BAURU (SP)

Um prédio de 14 andares na cidade de Gaza desabou depois de ser atingido por um ataque israelense durante uma transmissão ao vivo de um repórter local da rede BBC.

Segundo imagens publicadas pela emissora, o repórter Adnan Elbursh atualizava os telespectadores na quarta-feira (12) sobre o conflito entre Israel e o grupo islâmico Hamas —que já causou ao menos 139 mortes dos dois lados e na Cisjordânia— quando foi interrompido pelo som de explosões.

Menino palestino diante dos destroços do edifício Al-Sharouk, destruído por um ataque israelense em Gaza - Rizek Abdeljawad - 13.mai.21/Xinhua

O jornalista, posicionado no que parece ser a cobertura de outro edifício, sai do quadro enquanto o cinegrafista foca uma nuvem de fumaça que começa a subir a partir da base do prédio que aparece ao fundo da imagem, conhecido como Al-Sharouk.

Elbursh continua reportando o incidente, até ser novamente interrompido por outra explosão. "Adnan, você está bem? Por favor, encerre a transmissão se você estiver em perigo. Eu vejo que os ataques ocorreram bem do lado de onde você está", intervém o apresentador que conduzia a transmissão.

Instantes depois, o edifício é novamente atingido, e parte da lateral da construção desaba, levantando uma nuvem ainda maior de poeira e fumaça. O repórter narra a ocorrência de ataques menores, como sinais de que ele seria explodido em breve, até que uma grande explosão, enfim, derruba a torre.

Segundo a rede britânica, os moradores do prédio e dos arredores receberam alertas para a evacuação com cerca de 1h30 de antecedência. O vídeo publicado pela BBC não mostra o desabamento em si, mas imagens feitas por testemunhas e divulgadas pela TV americana ABC News exibem o colapso do edifício, bem como o cenário de destruição após os ataques.

Esta sexta-feira (14) marcou o quinto dia da escalada de violência mais grave entre Israel e palestinos desde 2014, com troca de foguetes e mísseis entre o Exército israelense e o Hamas. As forças israelenses realizaram, ainda na madrugada, uma ofensiva por terra, na fronteira com a Faixa de Gaza, movimento que marcou uma nova etapa do conflito.

Nesta sexta, o número de mortos em Gaza subiu para 128, incluindo 31 crianças e 20 mulheres, além de 950 feridos, segundo o Ministério da Saúde palestino. Em Israel, foram 500 feridos e oito mortos: um soldado e sete civis, incluindo duas crianças e um trabalhador indiano, de acordo com autoridades.

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A contagem não inclui os 11 palestinos que morreram durante confrontos contra as forças israelenses na Cisjordânia nesta sexta, depois de diversos protestos contra Israel eclodirem na região.

A nova fase de hostilidades foi desencadeada por confrontos entre palestinos e forças de segurança israelenses na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. A cidade, sagrada para judeus, palestinos, cristãos e muçulmanos, vive um estado de tensão desde o início do ramadã, mês mais importante para o islã.

No centro do atual conflito estão a liberdade de culto em pontos da região de Jerusalém conhecida como Cidade Antiga e uma decisão judicial que prevê o despejo de famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah que, por veredito de um tribunal regional, devem devolver os terrenos a judeus.


COMO FORAM OS ÚLTIMOS CONFRONTOS ENTRE ISRAEL E GRUPOS PALESTINOS

23 e 24.fev.20 Soldados israelenses acusaram um grupo de palestinos de tentar instalar um explosivo na cerca que separa Israel da Faixa de Gaza, o que gerou um conflito entre os dois lados. Em resposta, o grupo radical Jihad Islâmica disparou em um intervalo de 48 horas cerca de cem foguetes contra a região sul de Israel —que respondeu com bombardeios que deixaram quatro palestinos feridos.

3 a 6.mai.19 Depois de dois soldados israelenses que estavam próximos da divisa ficarem feridos por tiros disparados de Gaza, Israel fez um ataque contra alvos do Hamas na região. Em resposta, foram disparados 690 foguetes de Gaza contra Israel, sendo que 240 foram interceptados pelo sistema de defesa antiaérea. O confronto terminou com 25 mortos do lado palestino —incluindo duas mulheres grávidas e duas crianças— e 4 do lado israelense.

25 a 27.mar.19 Um foguete disparado da Faixa de Gaza destruiu uma casa na vila de Mishmeret, que fica ao norte de Tel Aviv, deixando sete israelenses feridos. O premiê Binyamin Netanyahu ordenou, então, o bombardeio de áreas do Hamas, que disparou foguetes contra a cidade de Ashkelon, no sul de Israel. A violência acabou depois de quase uma semana de confronto.

11 a 13.nov.18 Um homem de 40 anos morreu depois que um foguete atingiu sua casa em Ashkelon. Em resposta, equipes das Forças Especiais de Israel realizaram ações na Faixa de Gaza —sete palestinos e um agente israelense foram mortos. Na sequência, grupos de Gaza dispararam foguetes contra Israel que deixaram 53 feridos. As Forças Armadas israelenses, então, bombardearam Gaza, causando três mortos.

8 e 9.ago.18 O governo israelense chegou a cogitar uma ação terrestre em Gaza depois que o lançamento de quase 180 foguetes da região deixou mais de uma dezena de feridos. No fim, porém, Israel optou por um bombardeio contra 150 alvos, que deixou três palestinos mortos, incluindo um bebê.

jul. e ago.14 Integrantes do Hamas sequestraram e mataram três adolescentes israelenses em junho, em ação que deu início ao maior conflito dos últimos sete anos. Em resposta, Israel lançou uma ação contra alvos do grupo na Cisjordânia. Na sequência, tropas do Exército israelense entraram na Faixa de Gaza, em uma escalada do conflito, que se estendeu por sete semanas. Durante esse período, o Hamas e outros grupos lançaram 4.562 foguetes contra Israel, que revidou com ataques contra 5.262 alvos palestinos. Quando enfim os dois lados chegaram a um cessar-fogo, no fim de agosto, mais de 70 israelenses e 2.100 palestinos tinham morrido.

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