Quem é Yair Lapid, possível próximo premiê de Israel?

Centrista, ex-apresentador de TV recebeu chance de tentar formar governo após Netanyahu falhar

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Isabel Kershner
Jerusalém | The New York Times

Yair Lapid, o político centrista e ex-celebridade da mídia cujo partido foi o segundo colocado na eleição de março em Israel, prometera recusar o cargo de primeiro-ministro caso fosse esse o preço da formação de uma coalizão que pudesse afastar o premiê Binyamin Netanyahu do poder.

Essa manifestação incomum de humildade política não se deveu a modéstia, mas às dificuldades que Lapid sabia que enfrentaria para reunir apoio parlamentar suficiente para a formação de um governo.

Agora, depois de Netanyahu não ter conseguido formar uma coalizão viável até o prazo final de meia-noite da última terça-feira (4), a sinceridade e as habilidades políticas de Lapid serão postas à prova. O presidente Reuven Rivlin confiou a ele a próxima tentativa de formar um governo que pode colocar Netanyahu na oposição e pôr fim ao impasse político de Israel.

Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid, chega à residência do presidente de Israel, em Jerusalém
Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid, chega à residência do presidente de Israel, em Jerusalém - Oren Ben Hakoon - 5.mai.21/AFP

O partido de Lapid, o Yesh Atid, conquistou 17 cadeiras na eleição, a quarta realizada no país em dois anos. Mas seu caminho ao poder enfrenta dificuldades devido à natureza díspar do bloco anti-Netanyahu, formado por numerosos partidos pequenos com agendas divergentes. Alguns de seus elementos de direita veem Lapid como esquerdista demais para comandar um governo alternativo.

Netanyahu caracterizou sua campanha como um confronto direto com Lapid, que ele descartou como peso-leve. Lapid, por sua vez, travou uma campanha discreta, defendendo a preservação da democracia liberal e buscando frustrar a meta declarada de Netanyahu de formar um governo composto de partidos de direita e religiosos, dependente de rabinos ultraortodoxos e extremistas ultranacionalistas.

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Lapid também defendeu que o Judiciário deve ser protegido contra Netanyahu, que enfrenta julgamento por corrupção e que, juntamente com seus aliados de direita e religiosos, pretendia limitar os poderes da Suprema Corte e possivelmente buscar algum tipo de imunidade judicial.

A ativistas partidários antes da eleição, Lapid descreveu a coalizão que Netanyahu queria formar como “um governo extremista, homofóbico, chauvinista, racista e antidemocrático”. “É um governo em que ninguém representa os trabalhadores, as pessoas que pagam impostos e acreditam no Estado de Direito”.

Quando foi ministro das Finanças no governo formado por Netanyahu em 2013, Lapid instituiu reformas que visavam dividir os encargos nacionais mais igualmente entre a maioria dos israelenses e os ultra-ortodoxos que optam pelo estudo em tempo integral da Torá em vez do trabalho e do serviço militar, dependendo assim de caridade e assistência governamental para sua subsistência.

A maioria de suas políticas foi desfeita pelos governos posteriores.

O Yesh Atid participou de três eleições realizadas em 2019 e 2020 como parte de uma aliança centrista tripartidária chamada Azul e Branco, liderada por Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior do Exército.

Lapid distanciou-se da coalizão quando Gantz voltou atrás em relação a uma de suas principais promessas eleitorais e se aliou a Netanyahu após a eleição do ano passado para formar um governo de união inseguro e de curta duração.

Depois de uma carreira muito bem-sucedida como jornalista e popular apresentador de televisão, Lapid surgiu como uma surpresa na eleição de 2013, quando, como novato político, seu partido superou as expectativas e foi o segundo colocado, convertendo-o na principal influência na formação da coalizão.

Seu pai, Yosef Lapid, sobrevivente do Holocausto e político antirreligioso, também chefiou um partido centrista e foi ministro da Justiça. Sua mãe, Shulamit Yapid, é uma romancista muito conhecida.

Boxeador amador e conhecido por se vestir de preto, em estilo casual chique, Yair Lapid lançou-se na política na esteira dos protestos de 2011 por justiça social, dando voz à classe média israelense.

Em relação ao conflito israelo-palestino, ele segue uma posição intermediária, ocupando posições seguras que não fogem do consenso judaico israelense. Lapid já disse ser a favor da solução de dois Estados, mas é contra qualquer divisão de Jerusalém, que os palestinos veem como sua futura capital.

Tradução de Clara Allain

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