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Ataque com carro-bomba deixa mais de 30 feridos na Colômbia

Nenhum grupo reivindicou autoria das duas explosões, que tiveram como alvo um quartel do Exército

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Buenos Aires

Dois veículos explodiram dentro das instalações de um quartel do Exército da Colômbia, em Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, na tarde desta terça (15). O ministro da Defesa, Diego Molano, afirmou que se tratou de uma ação terrorista, embora o ataque ainda não tenha sido reivindicado por nenhum grupo.

Segundo o ministro, 36 pessoas ficaram feridas, sendo três com certa gravidade —não houve mortos. Um dos feridos passou por uma cirurgia, enquanto 29 estão hospitalizados. "Nós rejeitamos e repudiamos esse ato vil e terrorista que visou atacar os soldados da Colômbia", disse Molano a jornalistas.

Soldados patrulham quartel onde ataque com carro-bomba deixou ao menos 36 feridos na Colômbia
Soldados patrulham quartel onde ataque com carro-bomba deixou ao menos 36 feridos na Colômbia - Reuters

Um dos veículos usados foi uma camionete branca, conduzida por dois homens que se passaram por militares, afirmou o ministro. À rede Caracol de televisão o general Marco Evangelista Pinto, da segunda divisão do Exército, afirmou que os veículos estavam dentro do quartel, mas próximo ao portão de entrada e longe de áreas mais movimentadas, como dormitórios de soldados, por exemplo.

Durante a tarde, imagens de soldados e moradores da região circulavam nas redes. Um oficial filmou escritórios e salas do quartel, que estavam vazios, destruídos pela explosão. Em relatos à imprensa, familiares contaram que soldados fizeram chamadas para avisar que o local foi atingido por explosões.

A base usada pela 30ª Brigada do Exército, no bairro de San Rafael, é a mais importante desta zona da fronteira entre Colômbia e Venezuela, pois dali são coordenadas as operações contra grupos ilegais. O presidente colombiano, Iván Duque, afirmou em rede social que Molano iria a Cúcuta na noite desta terça, para se reunir com a cúpula militar local e avaliar a situação.

Altamente militarizada de ambos os lados, a região da divisa da Colômbia com Venezuela tem sido palco de enfrentamentos entre grupos criminosos locais, guerrilhas e suas dissidências. Apesar do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), os militares do país continuam a enfrentar combatentes do Exército de Libertação Nacional (ELN) e gangues e ex-integrantes das Farc que rejeitam o pacto —todos eles atuam na província de Norte de Santander, onde a 30ª brigada opera.

Segundo o ministro da Defesa, a hipótese inicial é a de que o ELN seja responsável pelo ataque, mas o envolvimento de dissidentes das Farc também é investigado.

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Além da importância militar, a região é um dos principais pontos de saída de refugiados da Venezuela e tem grande importância geopolítica. A ditadura de Nicolás Maduro acusa Duque de infiltrar por ali agentes "invasores" para atacar o governo. Já o presidente colombiano considera que Maduro abriga grupos criminosos e dissidências de guerrilhas colombianas apenas para desestabilizar sua autoridade na região.

Não é a primeira vez que ocorre um atentado contra militares na gestão Duque. O mais importante ocorreu em 2019, quando um carro-bomba explodiu na escola de cadetes General Santander de Bogotá, deixando mais de 20 mortos e 60 feridos. Em março deste ano, a província de Cauca foi alvo de um outro carro-bomba, que deixou mais de 40 feridos. Na ocasião, o governo culpou dissidentes das Farc.

Com Reuters

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