Descrição de chapéu China Brics Rússia

China diz que Otan exagera ameaça para alimentar disputa geopolítica

Aliança militar, assim como G7, criticou pretensões chinesas sob inspiração de Biden

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

A China fez duras críticas nesta terça (15) à Otan, aliança militar liderada pelos EUA, que na véspera havia aprovado um comunicado classificando o país asiático de um risco à segurança dos seus integrantes.

"A China pede que a Otan veja o seu desenvolvimento de uma maneira racional, pare de exagerar de qualquer forma a chamada 'ameaça da China' e pare de usar os interesses e os direitos legítimos da China como desculpa para manipular a política do bloco, criar confronto e alimentar competição geopolítica", afirmou a missão chinesa junto à União Europeia.

Soldados do Exército de Libertação Popular marcham em parada de 2019 em Pequim
Soldados do Exército de Libertação Popular marcham em parada de 2019 em Pequim - Greg Baker - 1º.out.2019/AFP

O texto afirma que os avanços militares do país, citados pela Otan como motivo de preocupação, são de natureza defensiva. "Nós não vamos apresentar 'desafios sistêmicos' a ninguém", disse o comunicado em referência ao termo usado pela aliança, "mas não vamos ficar sentados sem fazer nada se 'desafios sistêmicos' chegarem perto de nós".

A inclusão da China no rol das ameaças à aliança atlântica foi inédita, ainda que num grau menor do que o reservado à Rússia —afinal, a Otan foi criada em 1949 justamente para conter a União Soviética, o Estado antecessor do país de Vladimir Putin.

As críticas da Otan foram patrocinadas pelo presidente americano, Joe Biden, que desde a semana passada está em visita à Europa. No fim de semana, ele extraiu da reunião do G7, clube de nações ricas que inclui EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão, um comunicado conjunto no qual a China é duramente cobrada.

Foram citadas questões políticas, como o fim da autonomia relativa de Hong Kong, a repressão a muçulmanos em Xinjiang e a relação com Taiwan, ilha que Pequim considera uma província rebelde. Os chineses responderam dizendo que o texto era difamatório.

Nesta terça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, concordou com o uso do termo "desafio sistêmico" sobre a China e disse que o principal problema na mesa é o tema dos direitos humanos. "Nós somos fortes competidores econômicos, e para isso precisamos de instrumentos. Direitos humanos e dignidade humana são a principal questão que nos divide", afirmou.

China, Terra do Meio

Receba toda sexta-feira um resumo das principais notícias da China no seu email

A União Europeia e os Estados Unidos divulgaram um terceiro comunicado que cita a China, elencada ao lado de Rússia, Irã, mudança climática e questões econômicas como itens em que americanos e europeus concordam ter de trabalhar conjuntamente.

No texto divulgado em Bruxelas, a China acusa a Otan de ter "mentalidade de Guerra Fria", termo rechaçado pelo secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, na segunda (14).

Do ponto de vista estritamente militar, há poucas áreas diretas de atrito entre Pequim e os países europeus da Otan, embora a realização cada vez mais frequente de exercícios conjuntos entre China e Rússia em locais como o Mediterrâneo chame a atenção.​

O poderio da Otan é muito superior ao da China. Só os EUA responderam por 40% do gasto militar mundial, quatro vezes mais do que os chineses. Do ponto de vista de poderio nuclear, os americanos têm cinco vezes mais ogivas operacionais que os rivais.

Há alguns matizes. Estudo de Peter Robertson, professor da Universidade da Austrália Ocidental, citado pela revista The Economist, sugere que é preciso aplicar a ideia de paridade de poder de compra para comparar orçamentos militares: os custos são diferentes em cada país.

Assim, ele estima um incremento de até 40% no gasto militar chinês, considerando que o dólar no país compra mais do que nos EUA, por exemplo. Retóricas à parte, há uma Guerra Fria, em versão 2.0, em curso desde 2017 entre EUA e China. Ela abarca áreas comerciais, militares e políticas, e Biden frustrou aqueles que achavam que ele reverteria o curso dado por Donald Trump.

Ao contrário: com apoio de aliados, ele quer dobrar a aposta na contenção da China.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.