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Confronto entre Exército e opositores deixa 25 mortos em Mianmar

Conflito aconteceu na região central do país, que enfrenta protestos desde fevereiro, após golpe de Estado

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Yangon (Mianmar) | Reuters e AFP

Forças de segurança de Mianmar mataram ao menos 25 pessoas em confronto com opositores na sexta-feira (2) em uma cidade na região central do país, no sudeste asiático, segundo moradores.

O conflito aconteceu em Depayin, na região de Sagaing, a cerca de 300 quilômetros ao norte da capital, Naypyidaw. Mianmar tem registrado confrontos entre o Exército e grupos opositores desde o golpe de Estado que tirou a líder eleita Aung San Suu Kyi do poder em fevereiro. Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 880 pessoas já morreram nesses conflitos.

Em algumas áreas, civis se organizam em grupos armados, batizados de Força Popular de Defesa, para lutar contra os militares, na maioria das vezes usando rifles de caça ou armas caseiras.

A região de Saigaing, em particular, tem registrado um aumento dos confrontos entre esses grupos e os militares. Na sexta-feira, os combates começaram no condado de Depayin. Segundo moradores entrevistados pela agência de notícias AFP, soldados que chegavam em caminhões abriram fogo contra um vilarejo perto da selva na tentativa de desalojar membros do grupo local de defesa.

"Ouvimos disparos de artilharia 26 vezes", afirmou um morador. "Eles atiraram em tudo que se movia na estrada e na aldeia", acrescentou, destacando que vários civis estão entre as vítimas.

Os moradores esperaram até o dia seguinte para sair de suas casas em segurança e contar as vítimas, de acordo com outra testemunha, que ajudou a recolher os corpos ao redor de Depayin.

"Primeiro encontramos nove corpos que enterramos" no sábado, disse, acrescentando que outras oito vítimas foram encontradas por outra equipe. Neste domingo, oito novos corpos foram descobertos na região. "Reparei que a maioria das vítimas foi morta com um tiro na cabeça", disse, observação confirmada à AFP por outra pessoa que participou dos enterros.

Segundo essa mesma fonte, a presença militar está aumentando na região, levando ao deslocamento de milhares de habitantes que temem um novo ataque. O jornal Global New Light of Myanmar, controlado pelo governo, disse que "terroristas armados" fizeram uma emboscada contra forças de segurança que patrulhavam a região, matando uma pessoa e ferindo seis. O grupo recuou depois da retaliação das forças de segurança, que recuperaram quatro morteiros e seis armas de fogo, segundo o jornal.

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A violência desde o golpe tirou mais de 230 mil pessoas de suas casas, segundo a Organização das Nações Unidas, e outras 5.200 estão presas, além das quase 900 mortes pelas forças de segurança.

A junta militar diz que esses dados não são verdadeiros, mas não divulga suas próprias estimativas.

O Exército diz que a tomada de poder aconteceu de acordo com a Constituição. Eles alegam fraude nas eleições de novembro, ainda que as acusações sejam negadas pelas autoridades eleitorais.

Apesar das ameaças de repressão, os manifestantes continuam a sair às ruas diariamente para desafiar o regime militar. Neste domingo, em Sagaing, os residentes realizaram protestos, fazendo a saudação de três dedos, um símbolo da resistência.

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