Equipes encerram busca de sobreviventes em prédio que desabou na Flórida

Em reunião privada com familiares, chefe-adjunto dos bombeiros disse não haver chance de encontrar pessoas com vida

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São Paulo

Quase duas semanas desde o início das buscas no prédio que desabou parcialmente na Flórida, as equipes de resgate decidiram encerrar a procura por sobreviventes, em anúncio feito nesta quarta-feira (7).

“Apenas baseado nos fatos, há chance zero de sobreviventes”, disse o chefe-adjunto dos bombeiros de Miami-Dade, Ray Jadallah, aos familiares dos desaparecidos em uma reunião privada.

Equipes de buscas trabalham nos escombros do prédio que desabou parcialmente em Surfside, na Flórida
Equipes de buscas trabalham nos escombros do prédio que desabou parcialmente em Surfside, na Flórida - Joe Raedle/Getty Images/AFP

Nesta quarta, mais 18 corpos foram retirados dos escombros do edifício que ficava em Surfside, ao norte de Miami Beach, elevando o total de vítimas para 54, enquanto 86 permanecem desaparecidos.

À meia-noite desta quinta (8) (23h desta quarta em Brasília), a missão de busca e resgate de sobreviventes será oficialmente modificada para busca e retirada dos escombros do Champlain Towers South. “É com profunda tristeza que compartilho que tomamos uma decisão extremamente difícil”, afirmou a prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Cava Levine, em entrevista coletiva nesta quarta.

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Ao jornal local Miami Herald o coronel israelense Golan Vach, líder de uma unidade especializada de busca e resgate do Exército do país que está trabalhando com as equipes da Flórida, explicou que a retirada de escombros não se resume a uma escavadeira recolher os materiais e levá-los para um grande depósito.

“A realidade é que trabalhamos com máquinas, sabemos onde escavar, onde olhar. Procuramos manualmente, encontramos vítimas e parentes e as retiramos com muito cuidado.”

Além dos israelenses, o resgate contou com equipes vindas do México e do Texas para auxiliar nas buscas. A notícia do encerramento da procura por sobreviventes vem após a explosão controlada da parte do edifício que ainda estava em pé, realizada na noite de domingo (4, madrugada de segunda no Brasil).

As autoridades decidiram demolir os restos ​​do prédio devido à chegada da tempestade tropical Elsa à região. O temor era o de que a tempestade provocasse o desmoronamento do resto do edifício, o que colocaria as equipes de resgate em perigo. Após a demolição, as equipes ouviram sons vindo do entulho, não de vozes humanas, mas batidas e estrondos que não eram possíveis de identificar, mas pareciam promissores. Enquanto cavavam a pilha, porém, apenas objetos foram encontrados.

O complexo Champlain Towers South, construído há 40 anos, tinha 12 andares e 136 apartamentos. O bloco com vista para o mar desabou, por motivos que ainda estão sendo investigados.

Um relatório sobre o estado do edifício indicava já em 2018 "danos estruturais significativos", bem como "fissuras" no estacionamento do edifício. A divulgação de uma carta da presidente da associação de coproprietários datada de abril alimentou o debate sobre se o desastre poderia ter sido evitado.

Entre os moradores do prédio que caiu estavam alguns brasileiros, como a empresária Deborah Soriano, 58. Embora o desabamento tenha acontecido de madrugada, ela estava acordada limpando a casa após um jantar quando sentiu uma explosão e foi jogada para o outro lado do cômodo.

Quando abriu a porta de seu apartamento, deparou-se com o vazio. “Não tinha ideia do que estava acontecendo, se era ataque terrorista, se era terremoto, não deu para captar”, conta. “Fui ao terraço e vi tipo uma neblina, não dava para enxergar nada. Quis sair, abri a porta do apartamento e não tinha corredor. Não tinha mais nada. Estava tudo despencado.”

Deborah conseguiu sair pela escada de emergência, encontrou outros vizinhos na parte de baixo, mas as portas estavam bloqueadas pelo entulho. “A gente achou um buraco na parede, se meteu por esse buraco, foi de buraco em buraco até conseguir sair perto da frente do prédio. Aí os bombeiros vieram com um monte de escadas. Foi bem louco, na verdade, não sei nem quanto tempo durou tudo isso.”

Erick de Moura, outro brasileiro que morava no prédio, salvou-se do desabamento ao atender ao pedido da namorada para que dormisse na casa dela naquela noite.

Com Reuters e The New York Times

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