Descrição de chapéu Governo Biden

Democratas vencem votação de recall, e Gavin Newsom seguirá no governo da Califórnia

Retirada do governador antes do fim do mandato foi rejeitada pela maioria dos eleitores

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Washington

O democrata Gavin Newsom manteve o cargo de governador da Califórnia em uma votação de recall nesta terça (14). Com 70% das cédulas apuradas até a tarde desta quarta (15), a retirada era rejeitada por 63,9% dos eleitores. A agência Associated Press e a CNN americana, entre outros, projetam que a vitória de Newsom está confirmada.

O resultado completo ainda levará alguns dias e só será certificado em outubro. As regras atuais determinam que cédulas que chegarem pelo correio até três dias depois da data do pleito, e que tenham sido postadas até o dia da eleição, devem ser contadas.

O governador Gavin Newsom, durante comício em San Francisco - Brittany Hosea-Small - 14.set.21/Reuters

No discurso para celebrar o resultado, Newsom afirmou que "os eleitores disseram sim à ciência, à vacina, ao direito de votar sem medo, à diversidade, à inclusão e aos direitos das mulheres".

O principal oponente na disputa, o radialista republicano Larry Elder, reconheceu a derrota. "Perdemos a batalha, mas certamente vamos vencer a guerra. Agora estamos os forçando a fazer um trabalho melhor nas escolas, a limpar nossas florestas, no setor de energia. E a prestar atenção a coisas que eles deviam ter prestado atenção dois anos atrás", afirmou, em discurso ainda na noite de terça (horário local).

Com a vitória, o governador poderá ficar no cargo e terminar seu mandato, que vai até o começo de 2023. Os bons números também indicam que ele tem boas chances de se reeleger no pleito do fim do ano que vem.

Newsom, 53, jogou beisebol na juventude, o que lhe ajudou a conseguir uma bolsa para estudar ciência política na universidade. Nos anos 1990, abriu uma vinícola em Oakland, além de outros negócios nas áreas de hotelaria e gastronomia. Na mesma época, entrou na política.

Em 2004, aos 36 anos, assumiu a prefeitura de San Francisco, cargo no qual ficou até 2011. Depois, tornou-se vice-governador por dois mandatos e, em 2018, foi eleito para comandar o estado. Ele defende ideias como os direitos da população LGBTQIA+ e de imigrantes, além de mais acesso à saúde e moradia.

A votação foi o primeiro embate nas urnas entre republicanos e democratas desde a conturbada eleição de 2020. A vitória dos democratas já era esperada, pois o partido tem mais eleitores registrados no estado —quase dois para cada republicano— e tem tido vitórias confortáveis nas últimas décadas.

Assim, o pleito foi encarado como um teste para aferir se a capacidade dos democratas de manter sua base engajada e de convencer os eleitores a votar continuava forte, como na eleição presidencial.

Os dados de comparecimento ainda não foram divulgados, mas a expectativa é a de que sejam altos: até a tarde de terça, com a votação ainda em aberto, mais de 9,5 milhões de votos já haviam sido recebidos, o que representava cerca de 43% do eleitorado.

Em 2020, 70,8% das pessoas aptas a votar participaram, no que foi o maior índice desde 1952.

Outro ponto que deu peso nacional à disputa é que o governador tem o poder de nomear um novo senador caso uma das vagas do estado fique em aberto. Uma das parlamentares da Califórnia, a democrata Dianne Feinstein, tem 88 anos. Se ela viesse a deixar o cargo e um governador republicano estivesse no poder, ele poderia indicar um nome do partido, que, assim, passaria a ter maioria no Senado, hoje dividido entre 50 democratas e 50 republicanos —o desempate é da vice-presidente, Kamala Harris.

Na segunda (13), o presidente Joe Biden foi até a Califórnia fazer campanha para o governador, em um sinal de que o pleito tem importância nacional. "A decisão que vocês vão tomar não terá apenas impacto na Califórnia. Vai reverberar por toda a nação", disse ele, que chamou Larry Elder, republicano que concorria como opção para substituir Newsom, de um "clone de Donald Trump".

​A tática de acenar com a possibilidade de impulsionar a volta do ex-presidente ao poder a partir da derrota local, aliás, foi uma das tônicas da campanha, e Newsom chegou a dizer que "o trumpismo ainda está na urna".

Elder, um apresentador de programas conservadores no rádio e defensor fervoroso de Trump, adotou táticas do ex-mandatário, como a de questionar o sistema eleitoral e acusar que haveria fraude na disputa, sem apresentar provas. No entanto, após a divulgação dos resultados, agiu de modo diferente, ao reconhecer a derrota.

A votação foi realizada porque o estado dispõe de um mecanismo chamado "recall", segundo o qual o governador pode ser retirado antes do fim do mandato. Não é preciso ter uma razão específica: basta obter assinaturas de ao menos 12% do eleitorado, em cinco condados diferentes, para iniciar o processo.

Newsom é criticado pelos republicanos por ter adotado medidas duras no combate à Covid, como o fechamento de estabelecimentos por longos períodos e a exigência do uso de máscaras. Elder, por exemplo, afirmou em um comício que as decisões foram arbitrárias e extremas. "Gavin Newsom fechou este estado de um jeito mais severo do que fizeram os outros 49 governadores."

O democrata, por sua vez, vem lembrando que a Califórnia baixou o total de novos casos da doença nas últimas semanas e está em situação melhor do que a de alguns estados geridos pelo partido rival.

Estado mais populoso dos EUA, com 39 milhões de habitantes, a Califórnia teve 4,6 milhões de casos e 67 mil mortes por Covid desde o início da pandemia. Houve uma nova alta nos diagnósticos a partir de agosto, mas os números passaram a cair em setembro. A média de mortes diárias pela doença está em torno de 150; no auge da pandemia, eram 700. O estado tem 68,3% de sua população plenamente vacinada, acima da média nacional, que está em 54,5%.

Na Califórnia, até hoje apenas uma vez um governador perdeu o cargo em um recall. Em 2003, o democrata Gray Davis deu lugar ao republicano Arnold Schwarzenegger. O ator foi reeleito depois, em 2006, e ficou no poder até 2011. Schwarzenegger não disputou outras eleições desde então, mas continua próximo da política: tornou-se um crítico de Trump e defensor do combate às mudanças climáticas.

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