O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a primeira-dama Jill Biden terão um encontro com o papa Francisco no Vaticano em 29 de outubro, informou a Casa Branca nesta quinta-feira (14). Na pauta da conversa estará, além da pandemia do coronavírus, o enfrentamento à emergência climática.
O encontro agendado para daqui a duas semanas dá seguimento aos esforços do democrata e do chefe da Igreja Católica para ampliar o debate sobre a crise do clima. Biden tem tentado liderar a agenda —em abril, buscando reverter o negacionismo de seu antecessor, Donald Trump, convocou uma Cúpula de Líderes sobre o Clima. Já Francisco, mais recentemente, promoveu um encontro ecumênico sobre o tema.
O segundo católico a assumir a Presidência dos EUA e o papa se encontrarão apenas dois dias antes de ter início, em Glasgow, na Escócia, a COP 26, reunião sobre o clima capitaneada pelas Nações Unidas. Francisco já fez um apelo público para que líderes mundiais cheguem, “urgentemente, a respostas eficazes para a crise ecológica sem precedentes e para a crise de valores que vivemos".
Biden está envolvido num debate em torno do direito de receber a comunhão. Parte da liderança da igreja no país defende que o gesto seja proibido para o democrata, católico fervoroso, já que ele apoia o direito ao aborto.
Em setembro, em uma abordagem conciliatória, o papa entrou brevemente no assunto e disse que “o aborto é um homicídio”, mas que o direito à comunhão não deve ser tratado como uma decisão política.
Após o encontro com o papa, ainda em Roma, Biden participará de uma cúpula de dois dias com os líderes do G20. Segundo disse um funcionário da Casa Branca à agência de notícias Reuters, o principal objetivo é chegar a um acordo sobre a alíquota mínima de 15% para o imposto corporativo global.
A proposta, apresentada pelos EUA em maio, foi aprovada preliminarmente pelo G20 em julho, quando os países-membros do grupo —as maiores economias mundiais— assinaram um acordo sobre o tema.
Na sequência, Biden viajará para Glasgow, sede da COP 26. Trata-se da segunda viagem ao exterior desde que assumiu a Presidência, em janeiro. O democrata se prepara para anunciar ações-chave em relação às mudanças climáticas e reforçar uma agenda de liderança americana na diplomacia após quatro anos de políticas de Trump que priorizaram o isolacionismo e deterioraram o diálogo multilateral.
Ainda em abril, Biden formalizou o anúncio de que os EUA vão cortar 50% das emissões de gases causadores do efeito estufa até 2030 e pretendem zerar emissões líquidas de carbono até 2050.
Meses depois, em setembro, pactuou com a União Europeia (UE) um acordo para reduzir em 30% as emissões de gás metano até 2030, em comparação com os níveis lançados na atmosfera em 2020.
A viagem do democrata se dá em meio a reveses na agenda internacional. Além da saída atabalhoada das tropas do Afeganistão, em agosto, há a crise diplomática com a França, iniciada após os EUA isolarem o país e fecharem um acordo com Reino Unido e Austrália para a construção de submarinos nucleares para este último.
O presidente americano deve também se encontrar com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, enquanto os líderes do G20 estiverem em Roma, segundo informações da Reuters.
Pesam, ainda, pontos de interrogação sobre a capacidade americana de cumprir as metas climáticas assumidas por Biden, uma vez que em sua própria base de apoio no Congresso não há consenso sobre o volume de investimentos a ser destinado para a agenda ambiental.
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