Movimentos preparam novos protestos contra Bolsonaro em Pádua e Pistoia

Presidente brasileiro enfrenta onda de manifestações durante passagem pela Itália

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Janaina Cesar
Roma

A visita do presidente Jair Bolsonaro à Itália será marcada por uma onda de protestos. Além da manifestação marcada para segunda-feira (1º), em Anguillara Vêneta, movimentos sociais italianos também colocaram na agenda atos nas cidades de Pádua e Pistoia.

O roteiro do líder brasileiro depois de participar da reunião do G20 começa no município onde ele receberá o título de cidadão honorário, concedido a toque de caixa e em meio a muita polêmica, pela prefeita Alessandra Buoso, filiada à Liga do Norte, partido italiano de ultradireita.

O presidente Jair Bolsonaro ao chegar para o primeiro dia de cúpula do G20 em Roma, na Itália
O presidente Jair Bolsonaro ao chegar para o primeiro dia de cúpula do G20 em Roma, na Itália - Guglielmo Mangiapane/Reuters

A homenagem ocorre porque teria sido em Anguillara Vêneta, uma cidade de 4.000 habitantes, que um dos bisavôs de Bolsonaro nasceu. Assim, a origem italiana foi a justificativa usada por Buoso para conceder o título ao presidente. O município destinou 9 mil euros (R$ 59 mil) para organizar o evento.

O protesto na cidade foi organizado pelo Partido Democrático, o Partido da Refundação Comunista, a CGIL —o maior sindicato dos trabalhadores da Itália— e a ANPI, grupo que reúne membros da resistência italiana ao fascismo, além de organizações não governamentais, todos contrários à iniciativa de Buoso.

Após almoçar com a prefeita, Bolsonaro segue para Pádua, a 45 quilômetros de Anguillara Vêneta. Mas na cidade do Santo, como é conhecida, não haverá ninguém para recebê-lo oficialmente. Nem o prefeito Sergio Giordani nem membros da igreja, que emitiram notas contrárias à honraria dada ao presidente.

Por outro lado, uma manifestação organizada por centros sociais está programada para ocupar o Prato della Valle, uma grande praça a poucos metros da igreja de São Antônio, lugar que Bolsonaro deve visitar. Quase mil pessoas já confirmaram presença no evento que foi lançado numa campanha pelo Facebook.

"Não vamos deixá-lo passar", escreveram os organizadores para comunicar o evento. "Nos últimos anos, Bolsonaro se tornou um dos principais baluartes da negação —tanto pandêmica quanto climática—, do racismo mais vulgar, do colonialismo e do sexismo. Por esses motivos não aceitaremos a sua presença".

Segundo Antônio Pio Lancellotti, ativista ligado ao site Global Project, "essa será uma manifestação histórica para a cidade". "Bolsonaro é o mal contemporâneo, é a síntese do negacionismo."

Após passar por Padova, o presidente segue na terça-feira (2) para Pistoia, onde participará de uma homenagem no cemitério da cidade aos militares brasileiros mortos na Segunda Guerra.

Neste dia, os mesmos movimentos sociais e políticos que organizaram a manifestação em Anguillara Vêneta preparam um ato em defesa da memória histórica dos pracinhas. O ato está marcado para acontecer no cemitério, mesmo lugar em que Bolsonaro visitará na parte da manhã.

"Os soldados brasileiros que sacrificaram suas vidas para liberatar Pistóia do nazi-fascismo não merecem ser ofendidos com a presença de um homem denunciado por crimes contra a humanidade, homofóbico, misógino", diz a nota emitida pelos movimentos. "Bolsonaro não é bem-vindo em Pistoia, e a presença dele não mudará a lembrança dos 465 soldados brasileiros mortos aqui."

O primeiro protesto contra o líder brasileiro na Itália aconteceu na sexta (29), quando ativistas da ONG ambientalista Rise Up 4 Climate Justice jogaram esterco na porta da prefeitura de Anguillara Vêneta e picharam a fachada do prédio com "Fora Bolsonaro". O grupo divulgou as imagens em suas redes sociais.

Ativistas jogam esterco em frente à prefeitura da cidade de Anguillara Veneta, na Itália
Ativistas jogam esterco em frente à prefeitura da cidade de Anguillara Veneta, na Itália - Rise Up 4 Climate Justice/Divulgação
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