Descrição de chapéu oriente médio

Partido do clérigo xiita Sadr fica à frente nas eleições do Iraque, mas sem maioria no Parlamento

Pleito foi marcado por baixo comparecimento mesmo após protestos que derrubaram o governo em 2019

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Bagdá | Reuters

O partido do clérigo xiita Moqtada al-Sadr deve ser o maior vencedor das eleições legislativas do Iraque e aumentar sua representação no Parlamento, mostram resultados preliminares da apuração no país. O ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki deve conquistar o segundo maior número de cadeiras entre os xiitas.

Grupos xiitas têm dominado a formação de governos no Iraque desde a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, que derrubou o ditador sunita Saddam Hussein —esta é a quinta eleição parlamentar no país desde a queda de Saddam.

Mulher carrega retrato do clérigo Moqtada al-Sadr após resultados preliminares da eleição parlamentar do Iraque - Thaier Al-Sudani/Reuters

A eleição de domingo (10) estava prevista para acontecer só em 2022, mas foi adiantada em resposta aos protestos em massa de 2019, que derrubaram o governo e mostraram a insatisfação generalizada com a classe política. O pleito deste ano, no entanto, foi marcado pelo baixo comparecimento às urnas, com participação de apenas 41% dos eleitores.

"Eu não votei. Não vale a pena", disse Hussein Sabah, 20, no porto de Basra, sul do Iraque. "Não tem nenhum benefício para mim ou para outras pessoas. Vejo jovens com diplomas desempregados. Antes das eleições, todos ofereciam ajuda. Depois das eleições, quem sabe?", afirmou.

Os resultados preliminares, levantados na capital, Bagdá, e em uma série de províncias, apontam que o partido de Sadr deve conseguir mais de 70 cadeiras, o que lhe dará influência considerável na formação do governo, mas ainda longe de obter maioria dos 329 assentos. A formação de coalizões para dominar o parlamento pode levar semanas.

Em discurso ao vivo transmitido pela TV estatal, Sadr afirmou que venceu a eleição e prometeu fazer um governo nacionalista livre de interferência estrangeira. "Saudamos todas as embaixadas que não interferem nos assuntos internos do Iraque", disse, acrescentando que as comemorações aconteceriam nas ruas "sem armas".

No pleito de 2018, o partido de Sadr já havia ficado em primeiro lugar, com 54 cadeiras, o que aumentou seu poder sobre o Estado iraquiano. O clérigo populista tem sido uma figura dominante na política desde a invasão americana em 2003. Ele se opõe à interferência estrangeira no país, seja por parte dos Estados Unidos ou do Irã, criticado pelo envolvimento próximo na política do país.

Os resultados iniciais também mostraram que os candidatos pró-reforma que emergiram dos protestos de 2019 ganharam vários assentos no Parlamento.

Já partidos apoiados pelo Irã, com ligações com milícias acusadas de matar cerca de 600 pessoas nos protestos, devem ter menos assentos do que conquistaram em 2018.

Os curdos, por sua vez, devem conquistar 61 cadeiras, segundo a apuração preliminar, sendo 32 para o Partido Democrático do Curdistão, que domina o governo da Região Autônoma Curda, e 15 para seu rival, o partido União Patriótica do Curdistão.

As eleições aconteceram sob uma nova lei para diminuir o controle dos partidos políticos já estabelecidos e abrir caminho para candidatos independentes e reformistas. Os distritos eleitorais foram reduzidos e a prática de conceder assentos a listas de candidatos patrocinados por partidos foi abandonada. Não se espera, porém, que o resultado apurado nesta segunda-feira (11) altere dramaticamente o equilíbrio de poder no Iraque.

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