Putin diz que concentração militar é resposta a ameaça da Otan na Ucrânia

Em conversa com Boris Johnson, russo ouve que ação contra país vizinho seria um erro

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São Paulo

O presidente Vladimir Putin disse nesta segunda (13) ao primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que a Otan está ameaçando a Rússia ao expandir suas atividades militares na Ucrânia.

Os dois líderes falaram por telefone. O russo afirmou que as movimentações de tropas de seu lado da fronteira, vistas pelo Ocidente como o prenúncio de uma invasão do vizinho, são uma reação ao que percebe como uma ameaça.

"Tudo isso está acontecendo ante um quadro de expansão de atividade militar no território da Ucrânia pela Otan, criando uma ameaça direta à segurança da Rússia", afirmou o Kremlin em um comunicado.

Soldado ucraniano observa linha de rebeldes russos com periscópio em uma trincheira em Zolote
Soldado ucraniano observa linha de rebeldes russos com periscópio em uma trincheira em Zolote - Andrii Dubtchak - 11.dez.2021/Reuters

Já o governo britânico informou que Boris reiterou o "comprometimento do Reino Unido com a soberania e integridade territorial da Ucrânia, e que qualquer ação desestabilizadora terá graves consequências". Uma invasão, disse o líder, seria um erro.

O premiê se mostrou "profundamente preocupado" com a concentração de cerca de 100 mil soldados de batalhões de ação rápida em regiões próximas do leste ucraniano, região que desde 2014 é dominada por separatistas pró-Rússia.

A movimentação de tropas, a segunda do tipo do ano, gerou a acusação pelos Estados Unidos e por seus parceiros na aliança militar ocidental de que Putin pretende estar pronto para invadir a Ucrânia, supostamente em apoio aos rebeldes.

O Kremlin nega o intento e aponta para o fornecimento de armamento ocidental para os ucranianos, além dos constantes exercícios militares da Otan com forças de Kiev. O temor americano e europeu tem precedentes.

Há quase oito anos, Putin anexou a Crimeia quando um golpe derrubou o governo pró-Rússia em Kiev. Na sequência, apoiou os separatistas, gerando uma guerra civil ora congelada, mas que já matou mais de 14 mil pessoas.

Agora, tudo indica que Putin quer dar uma solução ao caso, trazendo o governo de Joe Biden para uma crise que até aqui era centrada na Europa. Os dois presidentes conversaram sobre o tema na semana passada, e o russo irá apresentar um plano de garantias mútuas.

Putin quer que a Otan se comprometa a não absorver a Ucrânia e outros países que faziam o papel de tampão entre o Ocidente e o território russo nos tempos soviéticos, como a Geórgia. Não por acaso, a Rússia lutou uma breve guerra contra o pequeno país do Cáucaso em 2008.

O pensamento geopolítico russo tem como premissa a chamada profundidade estratégica, não aceitando forças opositoras tão próximas de suas terras. Além disso, como no caso da aliada Belarus, a Ucrânia é um país com forte ligação cultural e histórica com a Rússia.

Do lado do Ocidente, a pressão continua. Em reunião de chanceleres europeus em Bruxelas, também nesta segunda, o tom foi de união contra o que chamam de agressão russa contra a Ucrânia.

Repetindo o que EUA, Otan e o G7 haviam declarado antes, o bloco afirmou que a eventual invasão do país por Putin seria respondida com "consequências políticas e alto custo econômico" para Moscou.

Também nesta segunda, o grupo militar privado russo Wagner sofreu um pacote de sanções por parte da UE (União Europeia), que foram estendidas também a oito pessoas ligadas a ele.

O grupo é notório por suas ações na Ucrânia, na Síria e em países africanos. Os mercenários costumam ser usados por Moscou de forma a escamotear a ação do Kremlin e a minimizar o impacto de mortes de soldados regulares.

Segundo a UE, o Wagner é responsável por abusos de direitos humanos. As medidas são mais simbólicas, pois incluem restrições de viagens e congelamento de bens de pessoas de importância secundária.

Já há sanções similares contra o homem considerado o chefe oculto do grupo, Ievguêni Prigojin, o "chef de Putin" por ter sido responsável pelos serviços de alimentação do Kremlin. Ele, que é próximo do presidente, nega a ligação.

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