EUA destinaram US$ 200 milhões à Ucrânia em meio a temor de invasão russa no país

Aporte financeiro foi aprovado pela Casa Branca em dezembro e revelado nesta quarta

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Kiev | Reuters

Os Estados Unidos aprovaram em dezembro um apoio de US$ 200 milhões a Kiev para ações de defesa, a maior quantia enviada desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014. A assistência, aprovada em meio à crescente tensão na região, com direito a ameaças de Vladimir Putin, foi divulgada nesta quarta-feira (19) por um alto funcionário do Departamento de Estado americano à agência de notícias Reuters.

O agente disse que o país se preocupa com a soberania e a integridade territorial da Ucrânia. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, viajou a Kiev para encontrar o presidente Volodimir Zelenski e o chanceler Dmitro Kuleba.

O aporte financeiro é visto como mais uma tentativa americana de marcar posição no conflito envolvendo a Rússia e a Otan, a aliança militar ocidental. Moscou teme que o grupo avance para ainda mais perto de suas fronteiras, caso a Ucrânia venha a se juntar à organização. Hoje, o grupo já abriga os Estados bálticos (Lituânia, Estônia e Letônia), entre outros países que foram alinhados à União Soviética.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, conversa com presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, de costas, em Kiev, na Ucrânia
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, conversa com presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, de costas, em Kiev, na Ucrânia - Alex Brandon/Pool via Reuters

Nesta quarta, Blinken reforçou a ideia de que a Rússia poderia lançar um ataque à Ucrânia dentro de um prazo muito curto. Em 2014, em meio a protestos pró-Europa, Putin ordenou que suas tropas tomassem a região da Crimeia, que era parte do país vizinho mas com laços históricos e étnicos com a Rússia. Na época, países ocidentais anunciaram sanções contra figuras ligadas ao Kremlin.

Apesar das ameaças bélicas de Moscou, o secretário de Estado americano disse que Washington manterá, enquanto for possível, o tom diplomático para resolver o conflito. Além do aporte financeiro e técnico à Ucrânia, ele voltou a ameaçar a Rússia com sanções caso a invasão ocorra de fato.

Na próxima sexta (21), Blinken se reúne com o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, em Genebra. O americano prometeu "esforços diplomáticos implacáveis ​​para evitar novas agressões e promover o diálogo e a paz". O encontro é visto por analistas como um dos últimos para tentar amenizar a situação, ainda que ambos os lados tenham se mostrado irredutíveis quanto às suas reivindicações.

Se, por um lado, o Kremlin quer garantias de que a Otan não aceite a Ucrânia como membro, por outro não há indícios de que americanos e aliados reduzirão suas tropas em países vizinhos à Rússia.

"Salvo uma rendição dos EUA e a entrega da Ucrânia à Rússia, algum tipo de opção militar é quase inevitável agora", disse à Reuters Vladimir Frolov, ex-diplomata russo e hoje analista de política externa.

Em pelo menos um ponto os dois lados concordam: as tensões na Ucrânia estão subindo. Cerca de 100 mil soldados russos continuam na fronteira, e Moscou enviou tropas e equipamentos militares para a Belarus na segunda (17), para exercícios conjuntos que devem começar em fevereiro. "Sabemos que existem planos para aumentar ainda mais essa força em um prazo muito curto, e isso dá ao presidente Putin a capacidade de tomar rapidamente mais ações agressivas contra a Ucrânia", disse Blinken.

Ele, porém, não disse com que rapidez a Rússia pode se mover. Analistas de segurança independentes afirmam não acreditar que Moscou tenha reunido até agora as unidades logísticas e médicas necessárias para um ataque imediato. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que entregas de armas ocidentais para a Ucrânia, manobras militares e voos de aeronaves da Otan são os culpados pelo aumento da tensão.

Na terça (18), também como parte dos esforços diplomáticos para encontrar uma solução para a crise, a ministra das Relações Exteriores alemã, Annalena Baerbock, encontrou-se em Moscou com Lavrov, enquanto o premiê Olaf Scholz esteve com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

Annalena disse que a Alemanha pode usar o Nord Stream 2, novo gasoduto que liga o país à Rússia, como arma política para frear as intenções do Kremlin. Lavrov, por sua vez, afirmou que "tentativas de politizar o projeto seriam contraprodutivas". O Nord Stream 2 é o segundo ramal de um megaprojeto iniciado nos anos 2000. Duplica a capacidade de transporte de gás natural pelo mar Báltico, possibilitando à Rússia desviar o fornecimento que hoje é majoritariamente feito por meio da rival Ucrânia e da aliada Belarus.

Atualmente, a certificação para a operação da estrutura está suspensa sob argumentos técnicos, segundo o governo alemão. Enquanto cresce o temor de um conflito, o Reino Unido anunciou nesta semana ter iniciado o fornecimento de armamentos antitanque para a Ucrânia. Já a Otan continua tentando a via diplomática. Stoltenberg disse ter convidado aliados e a Rússia para mais reuniões com o objetivo de discutir formas de melhorar a segurança na região, já que a última rodada terminou sem avanços.

Com as grandes potências se movimentando para evitar um conflito que pode ter consequências nucleares, a Ucrânia se vê preocupada com o próprio futuro. Na semana passada, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, propôs uma reunião com seus homólogos americano e russo, o que ainda não tem data marcada. Já seu gabinete ressaltou que "a vida e a morte" do país estão em jogo.

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