Nova York desobriga máscaras em locais fechados e segue estados governados por democratas

Governadores têm anunciado flexibilizações de restrições contra Covid em meio a pressão popular

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Belo Horizonte

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, anunciou nesta quarta-feira (9) o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados e a suspensão do passe vacinal contra a Covid-19 para entrar em lugares públicos. A decisão segue decretos recentes de estados americanos comandados por democratas, que tentam aplacar a pressão popular.

Na prática, as obrigatoriedades em Nova York apenas não serão renovadas, já que valeriam até quinta (10). "É um panorama magnífico. A pandemia não acabou, mas [o fim] está muito bem encaminhado, por isso agora estamos considerando uma nova fase", disse a governadora. Hochul ainda informou que daqui para a frente as cidades ou empresas é que irão determinar se o uso do acessório será necessário em locais fechados.

De acordo com a Universidade Johns Hopkins, a pandemia vem se estabilizando no estado, com o número de novos casos cada vez menor desde 6 de janeiro, quando a média móvel foi de 85 mil contágios registrados por dia –na terça (8), foram 5.232. Em comparação, no início de abril de 2020, quando os hospitais do estado viveram um de seus piores momentos, a média móvel era de cerca de 10 mil casos.

Governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, remove sua máscara, durante entrevista coletiva sobre a expiração da obrigatoriedade de máscara no estado, em Nova York
Governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, remove sua máscara, durante entrevista coletiva sobre a expiração da obrigatoriedade de máscara no estado, em Nova York - Timothy A. Clary - 9.fev.22 / AFP

O número de mortes, porém, segue outro ritmo. Na terça, 109 pessoas morreram de Covid-19 em Nova York, enquanto em abril de 2020 eram mais de mil. A diferença passa pela vacinação: atualmente, 74% da população do estado está vacinada, a maior taxa do país.

Apesar do anúncio, ainda não está claro se o fim da obrigatoriedade valerá também para as escolas. Ao ser questionada sobre o assunto dias antes, Hochul respondeu que o governo precisaria examinar os números antes de tomar uma decisão. O tema tem provocado conflito entre pais, professores e alunos.

Hoje, o item é obrigatório em 16 estados, governados principalmente por democratas —algumas escolas perto de Washington chegaram a ameaçar excluir alunos sem máscaras ou isolá-los em salas de atendimento. Mas a medida é criticada por republicanos e direitistas como obstáculo às liberdades individuais.

De acordo com o jornal The New York Times, o decreto de NY que impõe essas restrições nas instituições de ensino deve expirar em duas semanas. A decisão da governadora também não deve valer para locais administrados pela Casa Branca ou pelas prefeituras, como trens, aviões, ônibus e instituições de saúde.

Nesta semana, outros estados anunciaram o fim da obrigatoriedade de máscara em locais fechados, conforme a sensação de que o pior passou aumenta. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Monmouth, sete em cada dez americanos concordaram que "é hora de aceitarmos que a Covid está aqui para ficar e só precisamos continuar com nossas vidas".

Na semana passada, governadores democratas declararam que esperavam uma orientação da Casa Branca para padronizar as flexibilizações. As recomendações, porém, não chegaram, e os chefes dos Executivos estaduais decidiram se antecipar.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, informou na segunda que, a partir de 15 de fevereiro, os vacinados não precisarão mais de máscaras em ambientes fechados. "Os casos na Califórnia caíram 65% desde o pico da onda da variante ômicron. As hospitalizações se estabilizaram no estado", escreveu, em uma rede social. Ele destacou que pessoas não vacinadas terão que usar máscaras em locais fechados. "Vacine-se. Tome sua dose de reforço."

O chefe do Executivo de Nova Jersey, Phil Murphy, já havia anunciado que a partir de 7 de março não seria mais obrigatório o uso de máscaras em escolas para alunos e funcionários. "Não é uma declaração de vitória, mas o reconhecimento de que com responsabilidade, podemos conviver com isso", disse.

De certa forma, o democrata estava pressionado para flexibilizar restrições, com grande parte da população descontente com as medidas de saúde pública. Em novembro do ano passado, Murphy foi reeleito com um resultado apertado, contrariando as expectativas iniciais de vitória tranquila.

Desde então, o democrata vinha prometendo flexibilizações, mas a chegada da ômicron atrapalhou os planos. Em janeiro, as hospitalizações por Covid nos EUA bateram recorde e o país registrou número 20,8% maior que no surto anterior, um ano antes. Agora, porém, o caminho está mais livre, conforme apontam os números recentes.

Decisões semelhantes foram tomadas ainda em Connecticut, Delaware e Oregon, todos governados por democratas. Em estados republicanos, no entanto, a situação é diferente. Na Flórida e no Texas, por exemplo, essa obrigatoriedade não entrou em vigor (os locais têm taxas de vacinação mais baixas do que Nova York, com 65% e 59% da população imunizada com duas doses).

Na Virgínia, o governador republicano Glenn Youngkin assinou uma ordem executiva no final de janeiro permitindo que os pais mandem seus filhos para a escola sem máscara, mas o texto foi suspenso na Justiça a pedido de sete distritos escolares. O estado também proibiu suas universidades de barrar estudantes não vacinados.

As recentes flexibilizações, por outro lado, preocupam os especialistas em saúde. Ao New York Times, Leana Wen, professora de saúde pública da Universidade George Washington, afirmou que "é um problema sério quando a maior parte do país está desafiando ativamente o CDC", referindo-se às recomendações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Com The New York Times e AFP

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