Descrição de chapéu oriente médio terrorismo

Ataque a faca deixa 4 mortos em Israel e eleva preocupações antes de mês tenso

Autor, que seria simpatizante do Estado Islâmico, foi morto por pedestre; país vê onda de ações do tipo

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Jerusalém | Reuters

Quatro pessoas foram mortas num ataque nesta terça (22) em Beersheba, no sul de Israel. O episódio, um dos mais mortais do gênero nos últimos anos no país, foi o terceiro contra cidadãos judeus em menos de uma semana. O ataque se deu em ao menos três momentos, segundo Peretz Amar, porta-voz da polícia.

O autor atropelou e matou uma ciclista na frente de um posto de combustíveis e, ao descer do carro, já dentro do estabelecimento, esfaqueou uma mulher, que também morreu. Na sequência, dirigiu até um shopping ao ar livre e atacou mais três mulheres com a faca, matando uma delas.

De volta ao automóvel, bateu em outro carro numa rotatória, desceu e esfaqueou até a morte um homem.

Policiais em área próxima a shopping de Beersheba onde ataque a faca deixou 4 mortos - Dudu Grunshpan - 22.mar.22/JINI/Xinhua

Dois pedestres tentaram acalmar o homem, mas também foram atacados —vídeos nas redes sociais mostram esse momento. Um deles, que estava armado, então atirou, matando o autor dos ataques.

O número de vítimas é o mais alto em ataques únicos realizados contra cidadãos judeus ao menos desde 2017. As informações iniciais davam conta de três mulheres e um homem mortos, mas depois se confirmou que se tratavam de duas mulheres e dois homens: Doris Yachbas, 49, Laura Yitzhak, 43, Moshe Kravisky, 50, e Menachem Yechezkel, 67. Outras duas pessoas ficaram feridas.

A imprensa local identificou o autor dos ataques como Mohammed Abu al-Kiyan, cidadão israelense de origem beduína (um dos subgrupos populacionais árabes, distinto dos árabes-israelenses). Ele seria um ex-professor do ensino médio que chegou a ser preso por supostas ligações com o Estado Islâmico.

Representantes de organizações islâmicas como o Hamas chegaram a elogiar a ação, ainda que nenhuma delas —nem o EI— tenha reivindicado a autoria. Políticos como Mansour Abbas, líder da Lista Árabe Unida (Ra'am), partido que representa a minoria árabe e integra a coalizão governista, criticaram o ataque.

"Os cidadãos árabes são cumpridores da lei e denunciam qualquer um que use violência contra os demais. O Ra'am pede a todos que protejam o delicado tecido social, mostrem responsabilidade e promovam um discurso tolerante nessa hora difícil", escreveu nas redes sociais.

Os Estados Unidos também condenaram o que o Departamento de Estado chamou de "abominável ataque terrorista". Em um comunicado, o primeiro-ministro Naftali Bennett disse que as forças de segurança estavam em estado de "vigilância máxima" após o ataque.

O político estava fora de Israel nesta terça, em viagem para se reunir com os líderes de Egito e Emirados Árabes Unidos. Os três não explicaram em detalhes o que foi discutido no encontro, mas analistas disseram ao New York Times que a segurança em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia esteve em pauta.

O caso desta terça se segue a outros episódios semelhantes nas últimas semanas. No sábado (19), um homem judeu foi esfaqueado enquanto corria em um bairro residencial de Jerusalém; um dia depois, novo ataque a faca feriu dois policiais israelenses na parte oriental da cidade.

Agentes limpam manchas de sangue em estacionamento de shopping no qual o ataque desta terça foi realizado em Beersheba - Ahmad Gharabili - 22.mar.22/AFP

Beersheba fica no sul de Israel e geralmente não sofre efeitos diretos do conflito israelo-palestino —ao menos desde 2015 nenhuma ocorrência do tipo era reportada na cidade.

Essa onda de ataques recentes aumentou os temores de violência em abril —quando coincidem o mês sagrado muçulmano do Ramadã e os feriados judaico de Pessach e cristão da Páscoa. Tensões relacionadas ao Ramadã, por exemplo, dispararam conflitos na Faixa de Gaza em maio do ano passado.

Com The New York Times

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