Descrição de chapéu Guerra na Ucrânia Rússia

Rússia mostra blindado com bandeira da União Soviética na Ucrânia; veja vídeo

Provocação remonta à acusação de Putin de que está combatendo nazistas no vizinho

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São Paulo

A Rússia distribuiu imagens de um blindado seu em operação na Ucrânia com uma bandeira da União Soviética, numa provocação política ao governo do país que invadiu em 24 de fevereiro.​

A cena foi filmada em algum ponto da Ucrânia, segundo o Ministério da Defesa em Moscou. O canal de TV administrado pela pasta, a TV Zvezda (Estrela), e suas páginas na internet mostraram uma coluna de tanques e outros veículos, destacando um blindado de transporte de pessoal BMP-2 com o adereço.

Tanques russos com a bandeira da União Soviética na guerra na Ucrânia
Tanques russos com a bandeira da União Soviética na guerra na Ucrânia - Ministério da Defesa da Rússia/Reprodução

A imagem visa a reforçar os ecos buscados por Vladimir Putin no conflito, buscando remeter à Segunda Guerra Mundial. Na justificativa da invasão, o presidente russo disse que um de seus objetivos era o de desnazificar o vizinho.

Ele exagerava a presença de elementos neonazistas nos meios militares e políticos ucranianos, de resto um fato, sugerindo que o próprio governo de Volodimir Zelenski, um judeu russófono, seria aderente da ideologia de Adolf Hitler (1889-1945).

As forças nazistas tomaram a Ucrânia, então parte do império comunista dissolvido em 1991, em 1941. Três anos depois, os soviéticos recuperaram o terreno e marcharam rumo a Berlim. Para muitos ucranianos, as décadas sob o controle de Moscou foram motivo de ressentimento.

Por outro lado, a citação pode ser bastante ofensiva aos locais. Afinal, a Ucrânia foi um dos países mais afetados pela guerra na frente oriental. Morreram estimados 6 milhões de ucranianos no conflito, entre 27 milhões de soviéticos (estes representaram 40% do total de vítimas da guerra).

Putin trabalha, há anos, a memória da vitória soviética em 1945 como parte de seu próprio discurso político. Ele busca estabelecer uma linha entre o heroísmo romantizado daquela época com a ressurreição da autoimagem da Rússia como grande potência em seus mais de 22 anos de poder.

Para tanto, elegeu datas militares como feriados importantes do calendário e sempre manteve uma retórica belicista —agora, como na Geórgia em 2008, levada ao paroxismo da ação. Putin trouxe de volta o hino soviético, alterando a letra. Crítico do comunismo, diz que o desmonte soviético deixou milhões de russos longe de sua pátria, o que seria o "maior desastre geopolítico do século 20".

Atrás na guerra de comunicação mundial, Putin tem aumentado a pressão sobre a opinião pública russa, escalando a propaganda da guerra, como no incentivo ao uso de Z pintado nos veículos invasores. Ele também instaurou censura, que pode dar 15 anos de cadeia a quem espalhar o que o governo considerar fake news sobre o conflito.

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