Descrição de chapéu Financial Times Coronavírus China

Dose de reforço contra Covid vira desafio na China com equipes dedicadas a testes em massa

Quase 20 milhões de moradores de Pequim terão que passar por três rodadas de exames até sábado

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Eleanor Olcott Andy Lin
Taipé e Hong Kong | Financial Times

A campanha de reforço da vacinação contra a Covid-19 na China está diminuindo de intensidade à medida que as equipes médicas têm sido redirecionadas para a aplicação de testes em massa. Enquanto isso, os novos casos de coronavírus aumentam em todo o país.

As taxas de vacinação relativamente baixas deixarão dezenas de milhões de chineses vulneráveis à doença se a dura política do governo, chamada de "Covid Zero", não conseguir conter a variante ômicron.

Na última semana de março, a China aplicou 770 mil vacinas de terceira dose por dia em maiores de 60 anos após surtos em Xangai e Jilin. Mas esse número caiu para 590 mil em meados de abril, segundo dados divulgados pelo departamento de saúde do país.

Profissional de saúde coleta amostra de swab de um residente de Xangai, em meio ao surto de Covid-19 na cidade
Profissional de saúde coleta amostra de swab de um residente de Xangai, em meio ao surto de Covid-19 na cidade - cnsphoto - 26.abr.22/Reuters

Jin Dong-yan, virologista na Universidade de Hong Kong, diz que a queda nas taxas diárias de imunização reflete a profunda desconfiança sobre as vacinas entre os chineses idosos. "O último grupo não vacinado é sempre o mais difícil de alcançar e convencer a tomar a vacina."

Se a campanha continuar nesse ritmo, a China levaria até setembro para completar o ciclo de três doses em 90% da população idosa, segundo uma análise do Financial Times.

As autoridades da China continental recorreram a medidas rígidas de bloqueio para evitar a repetição de cenas de Hong Kong, onde uma onda de casos da variante ômicron, em fevereiro, causou um aumento das mortes de idosos não vacinados.

Pequim anunciou que quase 20 milhões de moradores teriam que passar por três rodadas de testes até sábado (30), depois do registro de 33 casos. Mas alguns especialistas temem que as políticas governamentais possam dificultar as campanhas de vacinação ou permitir a disseminação comunitária do vírus.

"Em Xangai, os recursos médicos foram realocados para hospitais temporários e para testes PCR, o que fez a vacinação parar repentinamente na cidade", diz Jin.

Pouco mais de 40% dos chineses com mais de 60 anos (109 milhões de pessoas) estão "subvacinados", o que significa que receberam menos de três doses das vacinas Sinovac ou Sinopharm, produzidas no país, necessárias para alcançar altos níveis de proteção contra a ômicron. Esse número sobe para mais de 60% em Xangai.

Um médico da cidade, que falou ao Financial Times sob a condição do anonimato, disse que os profissionais na linha de frente estão lutando com o aumento da carga de trabalho, depois que muitos funcionários foram redirecionados para aplicar testes em toda a cidade.

As autoridades chinesas implementaram a estratégia de exames localizados ou em massa a cada surto durante a pandemia. Isso contribuiu para o combate à disseminação do vírus, incluindo a variante delta em Xangai e Xi'an, no final de 2021.

Mas a eficácia está sob escrutínio depois de Xangai entrar em sua quarta semana de bloqueio geral. Não há indicações de quando terminarão as restrições à movimentação humana, que causaram dificuldades aos moradores da cidade mais populosa do país para obter alimentos e suprimentos médicos.

"As mesmas medidas que funcionaram para a delta não funcionam para a ômicron", afirma Jin, explicando que é muito difícil administrar o rastreamento de contatos ou realizar investigações epidemiológicas sobre esta cepa devido à sua alta transmissibilidade.

Especialistas alertaram que a ômicron pode estar se espalhando durante os testes em massa, e muitos moradores de Xangai se recusaram a cumprir as ordens de exames.

Jin afirma que os temores de transmissão comunitária, enquanto habitantes de Hong Kong faziam fila para testes PCR, estavam entre as principais razões pelas quais as autoridades de saúde no território chinês decidiram cancelar um teste planejado para toda a cidade em março.

Mas a China continental está mantendo essa abordagem.

A capital se prepara para um possível lockdown no estilo de Xangai. Os moradores estão esvaziando as prateleiras dos supermercados depois que uma série de casos surgiu no fim de semana, gerando preocupação de que a ômicron esteja se espalhando pela cidade há dias sem ser detectada.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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