Descrição de chapéu terrorismo

Reino Unido condena à prisão perpétua homem que matou parlamentar

Britânico Ali Harbi Ali teria planejado outros ataques a políticos conservadores e admirava Estado Islâmico

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Londres | Reuters

A Justiça do Reino Unido sentenciou o responsável pelo assassinato do parlamentar David Amess à prisão perpétua, em decisão proferida nesta quarta (13). O político, correligionário do premiê Boris Johnson, foi morto a facadas, em outubro passado, em uma igreja de Essex durante encontro com apoiadores.

Ali Harbi Ali, 26, cidadão britânico de ascendência somali, foi considerado culpado pelo assassinato e por conspirações terroristas na segunda (11). O júri levou menos de meia hora para chegar ao veredicto, segundo o qual Ali planejou ataques contra outros parlamentares, entre eles o também conservador Michael Gove.

Caderno com orações e com a foto do parlamentar David Amess durante cerimônia na Igreja de St Margaret, em Londres - Jonathan Brady - 18.out.21/Pool/AFP

Durante o julgamento, promotores do caso descreveram Ali como um "terrorista islâmico fanático e radical". As investigações mostraram que ele consumia frequentemente conteúdos do grupo Estado Islâmico (EI) e que planejava ataques no estilo "lobo solitário" —quando o atentado é organizado por indivíduos sem relação hierárquica com organizações terroristas, mesmo que compartilhem das ideologias extremistas.

O comissário-assistente da Polícia Metropolitana, Matt Jukes, o descreveu em pronunciamento após a sentença como um indivíduo "frio, calculista e perigoso". "O assassinato de David foi um ataque à democracia, e nunca permitiremos que os terroristas prevaleçam."

Ali afirmou não se arrepender nem se envergonhar do que fez. "Se eu achasse que fiz algo errado, não teria feito", disse no julgamento. O tribunal foi informado pelos promotores de que ele planejava morrer como um mártir, pois acreditava que seria baleado pela polícia.

O promotor Tom Little, citando relatos de testemunhas, entre elas assessores de Amess, disse que o britânico, enquanto esfaqueava o parlamentar, teria dito: "Quero que todos do Parlamento que apoiaram o bombardeio da Síria e a guerra no Iraque morram".

O juiz londrino Nigel Sweeney disse que o assassinato teve vários fatores agravantes, entre eles o fato de ter sido feito para promover uma causa, provocar medo entre os parlamentares, ser premeditado e planejado —além do fato de Amess ter sido atacado enquanto exercia suas funções públicas junto a eleitores.

Católico devoto, Amess era casado e pai de quatro filhas e um filho. Foi eleito pela primeira vez para o Parlamento para representar a cidade de Basildon em 1983 e depois se candidatou pelo distrito de Southend West em 1997. Em seu site, elencava "bem-estar animal e questões pró-vida" entre os principais interesses —era conhecido por ser um dos legisladores mais dedicados ao ativismo antiaborto no país.

Em uma declaração após a sentença, a família do político disse que não pôde celebrar a decisão. "Nosso incrível marido e pai foi tirado de nós de uma forma violenta e terrível, nada vai compensar isso; nunca vamos superar essa tragédia", disseram os familiares.

O caso fez crescer a pressão pública por maior segurança para os membros do Parlamento britânico. Cinco anos antes desse episódio, em 2016, a deputada Jo Cox, uma trabalhista, foi assassinada aos 41 anos por um ultranacionalista de extrema direita no período que antecedeu o referendo em que os britânicos votariam pelo brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Também acendeu o alerta para a intensificação dos episódios violentos envolvendo armas de fogo ou objetos cortantes na região. As últimas cifras disponíveis no Instituto Nacional de Estatísticas mostram que, no ano encerrado em março de 2021, foram registrados 224 homicídios com instrumentos cortantes, como facas ou garrafas quebradas.

No mesmo período, cerca de 41 mil crimes com esses objetos foram observados pela polícia na Inglaterra e no País de Gales, número que representa uma queda de 15,3% em relação ao período anterior —o que pode ser explicado por uma diminuição da criminalidade no período mais severo da pandemia de coronavírus. Em relação a 2010/11, porém, o índice de ocorrências envolvendo facas cresceu 27,4%.

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