Número de mortos após tempestade tropical nas Filipinas sobe para 80

País é um dos mais afetados pelos impactos de eventos climáticos extremos; número de vítimas deve crescer

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Manila | AFP

O número de mortos após a passagem da tempestade tropical Megi pelo arquipélago das Filipinas, um dos locais mais atingidos por eventos climáticos extremos no mundo, subiu para 80, informaram as autoridades nesta quarta-feira (13).

Mais de 17 mil pessoas tiveram de deixar suas casas após as fortes chuvas causarem inundações e corte de energia. A maior parte das vítimas morreu em meio a deslizamentos de terra e inundações, consequências da Megi, conhecida no arquipélago como Agaton.

Guarda costeira ajuda na retirada de moradores cujas casas foram alagadas pela chuva nas Filipinas - 12.abr.22/Guarda Costeira das Filipinas via AFP

A ilha de Leyte foi uma das mais afetadas pela tempestade tropical. Na cidade de Baybay, ao menos cem pessoas ficaram feridas, 48 morreram e 27 estão desaparecidas. Os bombeiros têm dificuldade de acessar os locais mais atingidos devido à grande quantidade de lama formada após as chuvas.

Já no vilarelo de Pilar, no município de Abuyog, 26 pessoas morreram e 150 estão desaparecidas depois que uma a lama e a terra empurraram casas para o mar e enterraram a maior parte do local.

Mais de cem comunidades, especialmente aquelas próximas a rios e praias, ficaram submersas após o temporal e a chuva contínua. Os ventos registrados chegaram a 65 km/h.

As Filipinas costumam observar ao menos 20 tempestades severas e tufões anualmente, e a Megi é apenas a primeira a atingir o arquipélago neste ano. Autoridades locais, porém, surpreenderam-se com a intensidade do evento climático.

"Estamos em uma temporada de seca, mas talvez a mudança climática tenha alterado isso", disse Marissa Miguel Cano, porta-voz da cidade de Baybay. As principais áreas afetadas por deslizamentos são aquelas onde há plantações de milho e arroz, devido ao manejo do solo, explicou.

"Nos disseram para ficarmos alertas porque uma tempestade estava chegando, mas não nos disseram diretamente que deveríamos sair", relatou a trabalhadora agrícola Loderica Portarcos, 47, que perdeu 17 parentes e um amigo nos deslizamentos, à agência de notícias AFP.

Os impactos da tempestade tropical são observados apenas quatro meses após a passagem do tufão Rai deixar cerca de 400 pessoas mortas, mais de 500 feridas e mais de 300 mil desabrigadas no arquipélago asiático.

Cientistas locais alertam para o fato de que a intensidade dos tufões e das tempestades severas têm crescido ao longo dos últimos anos, como consequência direta da emergência climática.

As Filipinas são a porção da região sudoeste do Pacífico mais afetada por eventos climáticos extremos, mostrou relatório publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço das Nações Unidas para o clima, em setembro passado. Ao longo dos últimos 50 anos, o arquipélago registrou 48.950 mortes em consequência desses eventos —75% de todas as mortes observadas na região.

O prejuízo econômico acarretado foi de aproximadamente US$ 36,8 bilhões (R$ 172 bi), sendo mais da metade do montante somente na última década. O evento com maior número de vítimas registrado no país foi o ciclone Haiyan, em 2013, quando mais de 7.300 morreram.

As Filipinas são, ainda, o país mais afetado por desastres naturais relacionados a ciclones tropicais —foram 295 ao longo das últimas cinco décadas, cerca de 15% do total registrado em todo o mundo. Na sequência, estão China (269) e Japão (101).

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