Descrição de chapéu O que a Folha Pensa

Lançamento eletrizante

SpaceX, do visionário Elon Musk, deu gigantesco passo tecnológico

Carro de passeio Tesla Roadster e o boneco Starman, levados pelo foguete Falcon Heavy ao espaço
Carro de passeio Tesla Roadster e o boneco Starman, levados pelo foguete Falcon Heavy ao espaço - Reuters

As imagens ao vivo de um conversível vermelho circulando a Terra azul constituem o aspecto mais frívolo do último golpe de publicidade do visionário Elon Musk. Nem por isso se deve menosprezar o gigantesco passo tecnológico que sua empresa SpaceX deu ao colocá-lo em órbita.

A estrela principal do lançamento na terça-feira (6) não foi o carro esporte elétrico da fábrica Tesla, de Musk, e sim o novo foguete Falcon Heavy. Pela primeira vez chegou ao espaço um lançador da iniciativa privada com capacidade para levar cargas pesadas à Lua.

Antes dele, só a Nasa (agência espacial do governo americano) havia construído e posto a decolar dos EUA um foguete desse porte. O último lançamento do poderoso Saturno-5 ocorreu, entretanto, quase meio século atrás, em 1973.

O satélite da Terra representa um objetivo intermediário da SpaceX. Afinal, a Nasa já esteve lá, várias vezes, nos anos 1960 e 1970. Musk quer mais: ser o primeiro a pousar uma nave tripulada em Marte.

Para isso, ele está desenvolvendo um sucessor para o Falcon Heavy, designado por ora como BFR (em que o B significa "big", grande, o R representa "rocket", foguete, e o F indica um palavrão muito usado em inglês coloquial). A estreia do BFR está prevista para meados da próxima década.

O empreendedor irreverente nascido na África do Sul foi alvo de ceticismo quando se aventurou pelo setor aeroespacial, no início dos anos 2000. Seu lançador pioneiro, Falcon 1, fracassou três vezes, de 2006 a 2008, antes de se tornar o primeiro foguete de uma empresa privada movido a propelente líquido a entrar em órbita.

A incredulidade também cercou o conceito da SpaceX de reaproveitar os primeiros estágios dos veículos, que na tradição da engenharia espacial eram desperdiçados na decolagem após esgotar-se seu combustível.

Várias tentativas falharam até que, em 2015, o segmento inferior de um Falcon 9 desceu de modo controlado sobre uma plataforma.

O primeiro estágio do gigante Falcon Heavy se compõe de três desses segmentos do modelo 9. Dois deles pousaram suave e simultaneamente em Cabo Canaveral, Flórida imagem ainda mais eletrizante que a da réplica em órbita do carro esporte a bateria.

A vantagem dos módulos recuperáveis está em baratear os lançamentos. Com o Falcon Heavy, uma decolagem pode custar menos de US$ 100 milhões, enquanto o novo lançador SLS da Nasa, quando ficar pronto, queimará até US$ 1 bilhão para alcançar o espaço.

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