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Economia na balança

A despeito de obstáculos,  quadro ainda se mostra propício para uma retomada mais rápida

Carteira de trabalho brasileira
Carteira de trabalho brasileira - Gabriel Cabral/Folhapress

A recuperação econômica prossegue, mas ainda há incertezas sobre seu ritmo. O otimismo vinha crescendo nos últimos meses, e as projeções para a alta do Produto Interno Bruto neste 2018 se aproximaram de 3%. Entretanto os primeiros indicadores do ano decepcionaram, e tal desempenho já é colocado novamente em dúvida.


Com fraqueza na produção industrial e no setor de serviços, o índice de atividade do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,56% em janeiro, na comparação com dezembro.


Desde o fundo do poço da recessão, em dezembro de 2016, o indicador mostra um avanço de apenas 3,9% —depois de uma queda de 10,6% ao longo de três anos.


Embora a lentidão ainda não possa ser tomada como tendência para os próximos meses, cabe notar obstáculos à retomada.


Um dos principais está no mercado de trabalho. Embora o poder de compra das famílias tenha aumentado, favorecido pela inflação baixa, a geração de empregos é modesta e ancorada em vagas sem carteira assinada. A informalidade dificulta o acesso ao crédito e a expansão do consumo.

Os juros bancários, ademais, permanecem exorbitantes —ainda que o corte da taxa Selic, do BC, ao menor patamar da história (6,5% ao ano) já proporcione efeitos positivos. O financiamento empresarial, por exemplo, começa a dar sinais de vida, depois de quase quatro anos de paralisia.


Setores dependentes de amparo estatal ensaiam mudar de comportamento. É o caso da agricultura, que já consegue recursos a custos menores do que os das tradicionais modalidades subsidiadas pelo governo, algo inédito.


A busca de taxas mais civilizadas, porém, depende de uma agenda cujo progresso não está assegurado. Entre as providências principais está o projeto que visa deslanchar o cadastro positivo —de modo a permitir a identificação de bons devedores e a competição por eles entre os bancos.


A despeito dos empecilhos, persistem boas razões para crer num desempenho econômico mais favorável neste ano. O controle da inflação parece consolidado; são consideráveis as chances de que os juros do BC possam ficar em patamares baixos (para os padrões brasileiros) por bastante tempo.


O crescimento da arrecadação de impostos melhorou os resultados das contas públicas, e as projeções mais catastrofistas estão descartadas de imediato.


Um fator decisivo, ao que tudo indica, será a evolução do quadro eleitoral. A percepção a respeito da viabilidade futura das propostas dos principais presidenciáveis será crucial para o comportamento de empresários, investidores e consumidores no presente.

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