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Parte do círculo próximo a Michel Temer acha-se sob investigação ou às voltas com acusações

O presidente da República, Michel Temer, em cerimônia de promoção de oficiais no Palácio do Planalto, em Brasília
O presidente da República, Michel Temer, em cerimônia de promoção de oficiais no Palácio do Planalto, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente Michel Temer (MDB) cultiva, como se sabe, alianças e amizades problemáticas. Parte considerável de seu círculo próximo acha-se sob investigação da Polícia Federal ou às voltas com acusações e processos judiciais.

Essa é a situação, entre outros, do ex-ministro Geddel Vieira Lima, do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, do ex-assessor da Presidência José Yunes e do coronel aposentado da Polícia Militar paulista João Baptista Lima Filho.

Personagem que tem se esforçado para permanecer à sombra, o coronel Lima é suspeito de agir como uma espécie de operador de Temer em transações nebulosas.

Chamado a depor pela primeira vez em junho do ano passado, ele vem driblando a PF desde então com atestados médicos que o impedem de se expor a “estresse emocional e esforços físicos”.

Lima deve explicações sobre alguns temas espinhosos, entre os quais o relato, por parte de um delator, de que teria intermediado para o presidente uma propina de R$ 1 milhão da JBS —quantia supostamente usada para pagar despesas da família do presidente.

Detido em 29 de março, mais uma vez o coronel manteve-se em silêncio. É um direito que lhe assiste, mas exercê-lo não será suficiente para sanar os problemas.

Há evidências de que a arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel, pagou em espécie os custos de uma reforma na casa de Maristela Temer, filha do mandatário.

O dono da Ibiza Acabamentos, uma das fornecedoras de material para a renovação da residência, situada no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, afirmou à reportagem da Folha que Fratezi fazia os pagamentos pessoalmente.

Não depõe a favor dos envolvidos o fato de que tais despesas foram realizadas em período próximo e posterior ao suposto recebimento da propina por parte do coronel. A quantia teria sido separada de um total de R$ 15 milhões acertado com a JBS a título de doação de campanha.

Alvo de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República, que conseguiu contornar com concessões fisiológicas a deputados aliados, o presidente também é objeto de um inquérito no STF, sob a acusação de favorecer empresas do setor portuário.

Torna-se difícil evitar a impressão de que o presidente, que acena com a possibilidade de concorrer à reeleição, tem mais chances de ser levado a julgamento em futuro próximo do que de permanecer no Palácio do Planalto.

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