Descrição de chapéu

Mercado para todos

Termos para compra de parte da XP pelo Itaú parecem marcar uma nova posição do Banco Central

Fachada de agência do Itaú, na região central da capital paulista
Fachada de agência do Itaú, na região central da capital paulista - Zanone Fraissat - 12.nov.14/Folhapress

Ao impor condições para a aprovação da compra de parte da XP Investimentos pelo Itaú, o Banco Central deu um passo importante no sentido de preservar a concorrência no setor financeiro.

Tomada após quase 15 meses de análise do negócio, a decisão da autoridade monetária estabelece regras mais restritivas do que as já determinadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em março.

Maior banco privado do país, o Itaú teve sua participação na XP, líder em seu segmento do mercado, limitada a 49,9% do capital total e 30% do capital votante.

Em 2022, poderá comprar mais 12,5% das ações, mas em qualquer hipótese estará impedido de deter mais de 40% daquelas com direito a voto. Também essa etapa futura dependerá de aprovação do BC.

Além disso, o banco não está autorizado a interferir na gestão da empresa de investimentos nem a ter acesso à sua base de clientes por 15 anos. Ambos deverão atuar de forma independente, sem integração comercial ou operacional.

Os termos do acordo representam uma sinalização eloquente ao mercado e parecem marcar uma nova posição do Banco Central.

Deveriam ficar para trás, de fato, os tempos em que os grandes bancos conseguiam comprar concorrentes para retirá-los do mercado, com o beneplácito implícito ou explicito das autoridades —possivelmente mais preocupadas com a resistência do sistema a crises. 

Uma das razões para os juros exorbitantes e os custos excessivos da intermediação financeira para consumidores e empresas no país, afinal, é a elevada concentração já existente. Apenas quatro grandes bancos —Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Bradesco— respondem por quase 80% do crédito nacional.

As condições para algum aumento da concorrência no setor parecem promissoras. A recente queda da taxa Selic, do BC, tende a reforçar o interesse do público em outras plataformas de serviços.

Também proliferam as fintechs, empresas que baseiam sua atuação em tecnologia para prover soluções em áreas como investimentos, cartões e concessão de crédito.

A fim de que a competição possa florescer e reduzir custos para consumidores e empresas de forma perene, porém, cabe às autoridades fortalecer o ambiente regulatório. Medidas que impeçam os bancos de dificultar o acesso aos dados (como o cadastro positivo) e facilitem a velocidade de recuperação de garantias são cruciais.

editoriais@grupofolha.com.br

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.