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Cautela em Davos

Em relação às perspectivas para a economia internacional, clima no fórum foi até de pessimismo

Christine Lagarde, do FMI, durante participação em painel no Fórum Econômico Mundial, em Davos
Christine Lagarde, do FMI, durante participação em painel no Fórum Econômico Mundial, em Davos - Arnd Wiegmann/Reuters

Em contraste com a visão construtiva quanto às perspectivas para a economia internacional no ano passado, desta vez o clima no Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi de cautela e até pessimismo. 

A própria agenda do evento favoreceu abordagens pouco alvissareiras, pois trouxe temas como globalização e o impacto da revolução digital, com foco na tendência de aumento das desigualdades, no florescimento do populismo e nos riscos cada vez mais prementes ao meio ambiente. 

Não bastassem essas ameaças de natureza estrutural, há desafios crescentes no curto prazo, como apontou o FMI em sua última revisão do cenário para 2019 e 2020. 

Observando que a economia mundial desacelera, a instituição cortou as projeções de crescimento, passando de 3,7% para 3,5% em 2019 e de 3,7% para 3,6% em 2020.

São mudanças mínimas, mas existe o risco de uma recaída recessiva, agravado pelos conflitos comerciais entre Estados Unidos e China, para nada dizer de outras tensões geopolíticas. 

Nos EUA, embora a economia pareça saudável, com desemprego baixo e bom dinamismo empresarial, há uma combinação de problemas em formação. 

Ao que tudo indica, esgota-se o impulso proporcionado pelos cortes de impostos, e o cenário de juros mais altos e crédito mais escasso sugere crescimento menor adiante. Não por acaso, o Fed, banco central americano, já mudou sua conduta e indicou uma pausa nas altas das taxas neste ano. 

Na China, a situação se mostra ainda mais complexa. O PIB cresceu 6,6% em 2018, uma cifra invejável, mas que representa o menor índice desde 2008, no auge da crise financeira. Para este ano, o FMI projeta 6,2%, desde que as autoridades reforcem estímulos, como corte de juros e de impostos. 

Como o endividamento chinês já é dos mais altos do mundo, torna-se cada vez mais difícil fomentar a expansão da economia sem gerar mais desequilíbrios. 

Nesse contexto, o Brasil até fez boa figura. O FMI elevou em 0,1 ponto percentual a projeção para o crescimento brasileiro em 2019, que agora atinge 2,5%.

Tudo dependerá, naturalmente, da realização de reformas, sobretudo a da Previdência, de modo a estabilizar o endividamento público —reformas cuja aprovação, por sua vez, agora dependem do grau de contágio da crise política produzida pelo filho do presidente.

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