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Massacre em Suzano

Atiradores matam 8 em ataque a escola, repetindo ações registradas nos EUA

Parentes e amigos das vítimas do massacre de Suzano - Ueslei Marcelino/Reuters

Suzano (SP) não chega a ser cidade pequena, com seus 295 mil moradores, mas se perdia num tipo de anonimato urbano em meio aos 21,6 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo. Até a manhã desta quarta-feira (13).

Com a tragédia na escola estadual Professor Raul Brasil, a localidade ingressa no pequeno rol brasileiro de matanças em estabelecimentos de ensino. Em número comparável de mortes, houve no país apenas o precedente do bairro carioca de Realengo, em 2011, para esse fenômeno tipicamente americano.

Luiz Henrique de Castro, 25, e Guilherme Taucci Monteiro, 17, invadiram o colégio depois de matarem um tio do segundo num lava-jato. Na instituição, tiraram a vida de ao menos cinco alunos e duas funcionárias, deixando ainda cerca de uma dezena de feridos.

Os assassinos —eles próprios, ex-alunos dali— foram encontrados mortos pela polícia. Um deles usava roupas pretas, como os atiradores da escola Columbine (EUA), que fizeram 13 mortos em 1999, e máscara com figura de caveira, como o assassino de 26 pessoas numa igreja do Texas, em 2017.

Tais eventos macabros parecem conter um componente de imitação. Jovens desajustados, não raro vítimas de bullying, recorrem a meios extremos, quando não à própria morte, para obter notoriedade e superioridade que não encontravam em vida.

Apenas iniciadas as investigações, mostra-se difícil cogitar que tipo de motivação conduziu os rapazes de Suzano ao ato desatinado.

Chama a atenção que tenham empregado dispositivo recarregador para aumentar a quantidade de tiros de revólver e uma arma medieval —a besta disparadora de setas— que hoje se vê apenas em filmes fantasiosos e videogames.

Os homicidas da Raul Brasil agiram para matar o maior número possível, não importando quem. Não se sabe com clareza se alguém —pais, parentes, colegas, professores— se dava conta do caminho escuro pelo qual enveredavam.

Claro está que não se deve responsabilizar outrem por seus atos bárbaros. Entretanto evitar que surjam novas cópias exigirá que escolas se aparelhem para detectar e prevenir de forma mais precoce os desvios mórbidos.

Basta um pouco de bom senso, por fim, para entender que aumentar a disponibilidade geral de armas de fogo no meio social pode contribuir para tornar esses massacres, entre outras modalidades de violência, mais frequentes.

Inevitável, pois, que a tragédia represente um constrangimento para a agenda armamentista do governo Jair Bolsonaro (PSL). O momento de comoção, porém, não é propício ao debate programático. Fiquemos, por ora, com o luto.

editoriais@grupofolha.com.br ​ ​ ​ ​ ​  ​

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