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Edson S. Moraes

Coaching: criminalização ou regulamentação?

Solução é esclarecer com campanhas educativas

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O gestor de projetos Davi Petruz usa técnicas de coaching para planejar os próximos passos da carreira - Keiny Andrade - 06.set.17/Folhapress
Edson S. Moraes

Recentes discussões sobre a prática de coaching no Brasil trouxeram à tona diversas opiniões sobre uma atividade que cresce a cada ano e que é reconhecida pelas empresas como uma importante ferramenta para o planejamento de carreira.

Nos Estados Unidos e na Europa, esse recurso de gestão é muito utilizado no desenvolvimento de lideranças e incentivado corporativamente como parte do processo de definição de objetivos e mapeamento de competências de seus funcionários. Por ser uma prática consolidada, exige-se adequada certificação dos coaches por meio de instituições reconhecidas pelo mercado. Por aqui, estuda-se a sua legalidade.

A prática de coaching não se resolve com a criminalização. Ela pode até passar por um processo de regulamentação, mas requer um processo de conscientização tanto daqueles que desejam buscar algum apoio para seu desenvolvimento pessoal ou profissional quanto dos que pretendem oferecer tal serviço. 

Afinal, coaching é um recurso de liderança que, quando bem realizado, muda a perspectiva da pessoa e transforma o clima de uma empresa. Requer determinação de quem busca alcançar seus objetivos e adequada formação do profissional que conduz o processo. Cursos que duram poucos dias, baseados em dicas de técnicas e ferramentas, não habilitam alguém a estimular reflexões em clientes que resultem em planos de ação que produzam mudanças.

O crescimento no interesse e na oferta dos serviços favorece a confusão sobre a aplicabilidade do coaching. Com o desemprego em alta, não faltam “coaches de minuto” no mercado. Percebe-se a explosão de pessoas oferecendo soluções que vão de “coaching de relacionamento” a “coaching psicofísico quântico nanomolecular”, seja lá o que isso for. Escolas e institutos aproveitam-se dessa demanda e oferecem cursos de qualidade questionável em finais de semana, para centenas de pessoas, certificando-as numa prática que a maioria desconhece.

O caminho passa pela ética de quem oferece cursos ou serviços e pelo esclarecimento de quem os compra. Programas de conscientização sobre o que é o coaching e como avaliar escolas e profissionais que prestam esses serviços serviriam como um importante instrumento àqueles que procuram desenvolver-se pessoal ou profissionalmente. 

Certificar-se de que o coach tenha sido devidamente capacitado e certificado por uma escola vinculada a algum órgão internacional e que reconheça as diretrizes éticas e as normas profissionais para a condução da atividade, invista em sua formação continuada e passe por processos de supervisão junto a outros profissionais da área são requisitos mínimos para a escolha de um coach.

Seguindo essa linha de raciocínio, criminalizar a profissão poderá aguçar a capacidade do jeitinho brasileiro. Aquele que hoje se denomina coach passará a se intitular mentor, consultor ou qualquer outro título.

Por outro lado, regulamentar não necessariamente resolverá o problema, pois a medicina é muito bem regulamentada e há quem procure terapeutas holísticos, curandeiros, amigos palpiteiros ou balconistas de farmácia para resolver seus males.

A meu ver, a solução está em conscientizar a população por meio de campanhas educativas para esclarecer o que é coaching. Assim, as pessoas teriam condições de identificar o profissional adequado para confiar seu desenvolvimento.

Edson S. Moraes

Coach executivo, consultor de estratégia e conselheiro empresarial

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