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Pedro Sabaciauskis

O plantio de maconha para fins medicinais deve ser liberado no Brasil? SIM

Regulação da Cannabis tem potencial social e econômico

Pedro Sabaciauskis é empresário e presidente da Associação Catarinense de Cannabis Medicinal. Passou a militar pela causa depois que sua avó, com Parkinson em estágio avançado, recuperou os movimentos através do tratamento com óleo de cannabis.
O empresário Pedro Sabaciauskis, presidente da Associação Catarinense de Cannabis Medicinal; segundo Sabaciauskis, ele passou a militar pela liberação da maconha medicinal após a sua avó, com Parkinson em estágio avançado, recuperar os movimentos por meio de um tratamento com óleo de Cannabis - Divulgação
Pedro Sabaciauskis

Somos a favor de uma regulamentação da Cannabis medicinal por diversos motivos. Pontuarei um a um: são causas humanas, solidárias, de saúde pública, econômicas e políticas. E uma regulamentação justa pode transformar socialmente o Brasil.

Estamos falando de doenças graves que podem ser curadas por uma planta que todos deveriam ter acesso —de preferência no jardim de casa. 

É uma causa humana e solidária, pois temos milhões de brasileiros que podem ser tratados com um remédio natural, de fácil acesso, barato e com poderoso efeito comitiva (ação conjunta de todos os canabinoides) —e que o ministro da Cidadania, Osmar Terra, finge desconhecer. Os pacientes hoje estão acorrentados a remédios alopáticos da indústria farmacêutica, setor sobre o qual pairam dúvidas em relação ao seu real interesse pela cura.

É uma causa de saúde pública: poderíamos fornecer o medicamento pelo SUS às pessoas carentes, onde a indústria farmacêutica não tem interesse de chegar, pois sua clientela está nos grandes centros urbanos e nas classes média e alta. 

Contudo, será difícil termos um remédio barato se ele for produzido com o grau de extrema segurança que a Anvisa está impondo, o que dificulta a entrada de pequenas empresas e associações no processo. Para quem não sabe, entre os requisitos da proposta da agência de vigilância sanitária está o cultivo exclusivo “indoor” (num país do tamanho do Brasil), acesso com controle biométrico e monitoramento 24 horas.

Os motivos pela regulação também são econômicos, pois a Cannabis pode ser um trampolim de desenvolvimento para os estados, tanto na agricultura familiar como nos grandes latifúndios. E aqui fica uma sugestão aos governadores: não deixem passar batido essa oportunidade de seu estado ser um grande produtor de Cannabis em detrimento de interesses econômicos do governo federal. Além de gerar de emprego e renda, vêm impostos, investimentos internacionais, verbas para pesquisa e transferência de tecnologia com países desenvolvidos.

Os motivos são políticos, afinal a Cannabis tem o potencial de ser um ponto de encontro entre direita e esquerda, algo que estamos precisando urgentemente em um país polarizado. A Cannabis não tem religião, não tem partido, não tem preconceito. Ela atende a todos. Esta é mais uma lição desta planta.
E finalizo com um motivo que os militares deveriam pensar seriamente: a regulação é questão de soberania nacional. O mundo sabe que o que está acontecendo é uma revolução médica. E o Brasil não pode deixar de aproveitar essa oportunidade com o tamanho que nós temos, clima apropriado ao cultivo extensivo (que nos daria preço e competitividade internacional) e uma mão de obra clamando por oportunidades. 

Por isso, causa grande estranheza que o ministro da Cidadania não tenha estudado o assunto de forma ampla e global antes de se pronunciar publicamente. Gostaria de lembrá-lo que, no seu cargo, ele tem a obrigação de defender os interesses dos cidadãos. Defendemos o óleo natural, que proporciona o efeito comitiva, e não o sintético, com canabinoides isolados quimicamente, duração rápida e risco de toxicidade.

E, para finalizar, arrisco a dizer que a Cannabis é uma forma de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se capitalizar politicamente. Segundo relatório da New Frontier Data, o mercado brasileiro de Cannabis pode movimentar cerca de R$ 4,4 bilhões. Ou seja: a maconha pode ser até uma salvação econômica para o governo.

Pedro Sabaciauskis

Empresário e presidente da Associação Catarinense de Cannabis Medicinal

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