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Andrei Petrov

80 anos do início da Segunda Guerra Mundial

No mundo atual, as lições são ainda mais relevantes

Soldados russos marcham, em Moscou, durante a comemoração dos 65 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial - Alexander Nemenov - 12.mar.10/AFP
Andrei Petrov

Este dia 1º de setembro marca o 80º aniversário do início do conflito mais devastador do século 20, que levou vidas de dezenas de milhões de pessoas. Sessenta e dois estados e praticamente 80% da população terrestre foram envolvidos na Segunda Guerra Mundial.

A tragédia atingiu não só a Europa, mas também países da Ásia, África, América do Norte e do Sul e Oceania. O Brasil, sendo o único Estado da América Latina a enviar suas tropas (Força Expedicionária Brasileira) para combater o fascismo na Itália, conhece esses eventos dramáticos por experiência própria.

A maior catástrofe humanitária da história da humanidade foi o resultado das aspirações agressivas daqueles convencidos de sua supremacia racial e do falso direito de decidir destinos de outros países e povos. Aquela guerra revelou as consequências horríveis da violência e da intolerância racial, sua prática e sua propaganda.

A contribuição decisiva para a derrota da máquina militar de Hitler foi feita pela então União Soviética, no território da qual aconteceram as batalhas mais importantes da guerra. Foi exatamente nos arredores de Moscou, em dezembro de 1941, onde o exército de Hitler, que até então tinha atravessado vitoriosamente quase toda a Europa, sofreu a sua primeira derrota.

Em 1942, em Stalingrado, e nos campos de batalha de Kursk, em 1943, os soldados soviéticos deram um duríssimo golpe nas forças nazistas. Foi a URSS que, com o apoio dos países da coalizão anti-Hitler, conseguiu mudar o rumo da guerra e salvar os povos da Europa de subjugação e aniquilação.

Com preocupação observamos o aumento das tentativas de reescrever e falsificar a história do conflito, reabilitar e glorificar os criminosos nazistas e seus apoiadores, distorcer os fatos. Procura-se diminuir ou totalmente ignorar o papel da União Soviética na derrota do nazismo.

Colocam-se no mesmo tabuleiro verdugos e vítimas, põem-se em questão os resultados da Segunda Guerra Mundial e os vereditos do Tribunal de Nuremberg. Em alguns países, os monumentos aos soldados-libertadores são destruídos, e sepulturas dos combatentes mortos são profanadas.

Nesse contexto, é necessário fazer lembrar que a tragédia ocorreu por causa da incapacidade da comunidade internacional em criar um sistema eficaz de segurança coletiva. A aspiração de garantir a sua própria segurança por conta de outros países resultou na escolha imprevidente da política de apaziguamento do agressor. Se os países tivessem conseguido unir forças, teria sido possível evitar tantas vítimas humanas.

Nas condições contemporâneas, quando o mundo enfrenta novos desafios e ameaças, as lições da guerra tornam-se ainda mais relevantes. Jogos de soma zero, bem como tentativas de impor a sua visão de mundo, são muito perigosos.

A história já mostrou que tais atitudes facilmente podem resultar em tragédias de escala mundial. É exatamente por isso que apelamos para priorizar a cooperação abrangente dos Estados soberanos, baseada na igualdade de direitos, respeito mútuo e valores democráticos universais.

Andrei Petrov

Encarregado de negócios interino da Embaixada da Rússia no Brasil

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