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Wilson Poit

O Brasil que empreende é o Brasil que prospera

Micro e pequenas empresas aumentam faturamento

Wilson Poit

A taxa de desemprego no Brasil fechou o segundo trimestre em 12%. Ao final desse período, havia 12,8 milhões de pessoas desocupadas no país, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os economistas preveem crescimento de 0,87% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2019, segundo o relatório Focus do Banco Central. Pouco para um país que ainda sofre os efeitos de uma recessão recente.

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O diretor-superintendente do Sebrae-SP, Wilson Poit - Adriano Vizoni - 27.fev.19/Folhapress

Paralelamente, as micro e pequenas empresas (MPEs) encerraram o primeiro semestre de 2019 com aumento de 6,3% no faturamento sobre o mesmo intervalo de 2018. No confronto entre junho de 2019 e junho de 2018, houve elevação de 4,2% no número de pessoas ocupadas nas MPEs, e esses trabalhadores viram seu rendimento médio subir 1,8% em igual comparação, conforme pesquisa do Sebrae-SP. Números que ganham peso quando lembramos que 54,5% dos empregos formais no setor privado estão nas MPEs, e elas respondem por 27% do PIB.

De um lado, temos um quadro econômico com indicadores ruins, cercado de incertezas, afastando investimentos. Do outro, dados positivos apesar do contexto desfavorável.

Não é exagero dizer que os 13 milhões de pequenos negócios brasileiros (98% do total de empresas do país) apontam saídas para a crise que nos assola. São eles que vão criar os empregos que necessitamos. Se cada MPE gerar um posto de trabalho, será um grande passo na direção de dias melhores. Em 2018, as pequenas empresas foram responsáveis pela criação de 580,9 mil empregos formais. Já as médias e grandes encerraram o ano passado com saldo negativo de 47,1 mil. Mais vagas, mais renda, mais consumo, mais combustível para a economia girar.

Mesmo mostrando boa dose de resiliência, os pequenos empreendimentos são mais suscetíveis às turbulências. Como não contam com tanta estrutura para suportar os impactos de uma conjuntura negativa, o tratamento dado a eles deve ser diferente. O Simples Nacional e a criação da figura do Microempreendedor Individual (MEI), que completa dez anos em 2019, fizeram muito no sentido de propiciar um ambiente favorável a quem entra nesse universo. Mas ainda há o que aprimorar.

A burocracia, um dos nossos problemas crônicos, pode ser reduzida. Daí ser bem-vinda a MP (medida provisória) da Liberdade Econômica, sancionada na última sexta-feira (20), que facilita a obtenção de licenças, alvarás e autorizações para as empresas. Menos obstáculos, mais atividade.

Outro fator a se considerar na vida dos pequenos empreendimentos é o acesso ao crédito e microcrédito. Sem uma oferta maior e descomplicada de recursos às MPEs, muitas ideias nem chegam a sair do papel, e oportunidades são desperdiçadas. É imprescindível encontrar soluções que atendam amplamente aos pequenos negócios e sejam interessantes às instituições financeiras —caso contrário dá-se um impasse ruim para todos.

Por sua vez, o empreendedor brasileiro tem de fazer sua parte e se qualificar. Abrir uma empresa é só o primeiro passo. Manter-se no mercado é um desafio maior. De acordo com pesquisa do Sebrae, uma em cada quatro empresas não completa dois anos de vida, e metade delas não atinge quatro anos de existência. 

Os principais motivos para o insucesso são desinformação dos donos sobre o mercado, falta de planejamento e falhas no comportamento empreendedor. Esse preparo insuficiente pode ser sanado com capacitação. Uma gestão de alto nível produz reflexos nos resultados do negócio: solidez, potencial de gerar postos de trabalho e, no final, contribui para a economia como um todo.

É por esse Brasil das MPEs que temos todos de trabalhar: em uma frente, investir em políticas públicas e iniciativas voltadas a fortalecer o empreendedorismo, com menos burocracia e mais crédito; em outra, promover a qualificação dos pequenos negócios para que aumentem suas chances de sucesso. Dessa forma, poderemos contribuir significativamente para um Brasil que prospera.

Wilson Poit

Diretor-superintendente do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)

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